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Bauru é 37ª no ranking do saneamento

Por Da Redação | Com Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Mesmo com praticamente toda a população servida de rede de água e esgoto, Bauru ficou em 37º lugar entre as 81 cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes no quesito saneamento básico. A relativa má colocação deve a um problema crônico que a cidade ainda enfrenta: a ausência de tratamento de esgoto.

No estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Brasileiro”, elaborado pela Fundação Getulio Vargas a pedido do Instituto Trata Brasil, Bauru apresenta 98,2% das residências com acesso a água e 96,2% com coleta de efluentes. Mas, como todo o esgoto produzido pela cidade não é tratado, levou nota zero nesse item. A cidade mais bem classificada foi Jundiaí e a pior, Porto Velho. No ano passado, Bauru ficou na mesma 37ª colocação no ranking elaborado pela entidade.

O levantamento leva em conta os dados da Pesquisa Nacional de Amostragem de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e aponta que os trabalhadores de cidades onde toda a população conta com coleta de esgotos eficiente ganham salários, em média, 13,3% acima dos que vivem em municípios precários. Segundo a pesquisa, a renda média dos trabalhadores é de R$ 930,00 e, se os serviços fossem estendidos a todos, o ganho de renda mensal poderia ser adicionado de R$ 50,00 por pessoa.

A pesquisa também comprovou que aqueles que têm renda menor correm mais risco de sofrer com problemas de saúde. Anualmente, cerca de 217 mil trabalhadores afastam-se de suas atividades por distúrbios gastrointestinais associados à carência nos serviços de saneamento.

Estima-se que, a cada caso, são perdidas 17 horas de trabalho e que a probabilidade de faltas do trabalhador por diarreia é 19,2% mais baixa entre as pessoas com acesso à rede coletora de esgoto. Essas ausências geram custos no valor de R$ 238 milhões por ano em pagamento de horas não trabalhadas.

Com informações do Datasus, a FGV constatou também que, no ano passado, 462 mil pessoas foram hospitalizadas e 2,1 mil morreram em razão de infecções gastrointestinais. Os técnicos calculam que a universalização dos serviços de saneamento permitiria reduzir em 25% o número de internações e em 65% os índices de mortalidade.

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Ações

Apesar de recolher o esgoto de quase todos os imóveis, o efluente de Bauru é jogado sem nenhum tipo de tratamento nos córregos e rios do município. Segundo dados do Departamento de Água e Esgoto (DAE), a cidade lança a cada segundo 1,5 mil litros de esgoto não tratado nos corpos d’água.

Para reverter essa situação, a autarquia investe na implantação de interceptores - tubulações instaladas nas margens dos corpos d’água que coletam o esgoto lançado pelos imóveis e os transportam até o local onde será tratado. O grande desafio é a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa, no Distrito Industrial 1, que deve ser iniciada no ano que vem. Antes disso, no entanto, será preciso decidir a forma de financiamento dessa obra, que está orçada em R$ 80 milhões.

A ETE Candeias, no Núcleo Gasparini, após vários atrasos, está com obras em andamento e deve ter a parte física concluída em outubro deste ano, com pré-operação a ser iniciada em abril de 2012.

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