Aquecido. Essa é a melhor palavra que define o setor de construção civil em Bauru. A previsão do presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) do Estado de São Paulo, Sérgio Watanabe, que esteve em Bauru ontem para inauguração da nova sede da entidade na cidade, é que o crescimento do setor deve se estender pelos próximos cinco anos.
A solenidade de inauguração da nova “casa” do Sinduscon teve a participação de várias autoridades da cidade que presenciaram o lançamento da cartilha “Obra Legal”, que foi confeccionada pelo sindicato com patrocínio do Jornal da Cidade, Caixa Econômica Federal, entre outros órgãos.
Na cartilha, os leitores poderão ter informações mais simplificadas e visões abrangentes de como começar e finalizar sua construção legalmente, evitando prejuízos. “Por exemplo, a pessoa tem que ver como ela irá construir em determinado terreno, quanto ela vai ter que fazer de muro de arrimo. Dicas de como legalizar o imóvel também constam na cartilha e são muito importantes porque a legalização valoriza o imóvel”, salienta Renato Parreira, diretor do Sinduscon de Bauru.
O informativo terá tiragem de mais de 37 mil exemplares . Desse número, 32 mil serão encartados no JC desse domingo. “Quando eu tive a ideia de fazer a cartilha, pensei: como vou distribuir isso para a sociedade?. Então resolvi procurar o Renato Zaiden, que deu a ideia de veicular junto ao jornal de domingo”, ressaltou o diretor.
“Hoje o projeto de comunicação das empresas regionais está cada vez mais perto da realidade de seus mercados, cuidando de coisas que dizem respeito ao dia a dia. É através dessa cidadania que você transforma”, defende Renato Zaiden, presidente do Grupo Cidade.
Demanda
Depois da crise do ano de 2008, que segundo Watanabe, fez com que empreiteiras sofressem até com a falta de cimento, o setor de construção civil se aqueceu e, visivelmente em Bauru, está em expansão proporcionando a aquisição da casa própria também por pessoas de baixa renda.
“Bauru é um dos destaques do Interior do Estado. De 2005 para cá, a construção civil já abriu mais de 1 milhão e 100 mil postos de trabalho no Brasil todo. E Bauru teve uma participação muito importante com relação ao crescimento da construção civil em São Paulo inclusive porque tem uma escola que capacita profissionais para trabalhar. Eu percebi também que o prefeito está empenhado nesse crescimento”, afirmou Watanabe.
Em seu pronunciamento durante o evento, o prefeito Rodrigo Agostinho afirmou que a prefeitura saltou de R$35 milhões para R$75 milhões só em gastos com construção civil na cidade.
“Isso implica na reforma de mais de 40 escolas, das quais 11 já foram entregues, mais 3 serão entregues também em agosto e 12 já estão em processo de reforma. Nós também estamos finalizando as obras da Nações Norte. Eu considero uma obra nova porque, além da reforma, nós ampliamos essas escolas. E também estamos investindo em asfalto, iluminação entre outras manutenções”.
Para Sérgio Watanabe, apesar das possíveis oscilações, o setor de construção civil deve permanecer aquecido pelo menos nos próximos cinco anos. “Em 2008, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que faltavam 5,6 milhões de moradias no Brasil. Com a renda e massa salarial, melhores condições de consumo, crédito fácil, inflação estabilizada, juros baixos e prazo, o setor deve permanecer aquecido nos próximos anos”.
Entretanto, o presidente do Sinduscon afirma que ainda falta mão de obra qualificada. “Com a crise em 2008 e a decadência da construção civil, o número de profissionais qualificados também caiu. Nós precisamos de profissionais qualificados. Muitas vezes, quando não se encontra outra solução, são substituídos por maquinários que acabam deixando a obra mais cara e diminuindo a chance de abrir vagas de empregos”.
Rodrigo Agostinho concorda com Watanabe e conta que mesmo abrindo vagas para concurso de pedreiro e mestre de obras para a prefeitura, poucos se increveram. “Nós estamos oferecendo um trabalho garantido: o profissional vai ser efetivado com resguardos e, mesmo assim, faltam pessoas para trabalhar nas nossas obras”.
• Serviço
A nova sede do Sinduscon está localizada na rua Capitão Gomes Duarte, 19-26, Vila Universitária, em Bauru.
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Irregulares
Renato Parreira, diretor do Sinduscon de Bauru, enfatizou durante a solenidade de inauguração da nova sede do sindicato que dados da Secretaria de Planejamento (Seplan) mostraram que mais de 50% dos imóveis de Bauru estão irregulares.
“Eu acho que um ditado que cabe bem a esse panorama é: o barato sai caro. O sub empreiteiro contratado na irregularidade ‘mina’ a obra com problemas que serão visíveis futuramente. E se ninguém se responsabiliza pela mesma quem poderá resolver o problema? A residência irregular acaba não conseguindo retirar o habite-se, e, sem documentos comprobatórios, fica difícil a comercialização do imóvel”, justifica Parreira.
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Destino do entulho de
obra é o maior desafio
Como pensar em crescimento do setor da construção civil de forma sustentada? Sérgio Watanabe afirma que o sindicato estuda soluções sustentáveis para problemas como o que fazer com o entulho da obra.
“Primeiramente nós estamos estudando como diminuir a energia consumida nas edificações. Isso envolve a construção desde o início, por isso é importante um serviço de qualidade e utilização de bons materiais. Nós sabemos que desligar as luzes que não estão sendo usadas e que fechar bem as torneiras são medidas que ajudam. Mas uma instalação mal feita pode consumir mais energia”.
Além disso, os profissionais estão se conscientizando também para a emissão de carbono de alguns maquinários. “O carbono é o gás responsável pelo efeito estufa no planeta. Nós também estamos estudando maneiras de diminuir a emissão desses gases em alguns maquinários das construções”, afirmou Watanabe.
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Programa “Minha Casa Minha Vida”
O prefeito Rodrigo Agostinho frisou que mais de 5 mil casas já foram entregues a moradores de Bauru que conseguiram subsídios do governo no programa “Minha Casa Minha Vida”. O superintendente da Caixa Econômica Federal em Bauru, Geraldo Luiz Machado, também sobre o sucesso do programa.
“Ano a ano a Caixa bate recordes em construção civil, que é uma mola em desenvolvimento: gera empregos e aquece a economia. Mas é importante lembrar que, para muitos, isso significa a realização de um sonho. Uma vez uma senhora de 70 anos chegou correndo e me abraçou dizendo: muito obrigada, hoje eu tenho minha primeira casa própria”, falou emocionado.