O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) revelou que os manguezais continuam desaparecendo quatro vezes mais rapidamente que as florestas terrestres. O órgão divulgou um atlas detalhado sobre esses ecossistemas, formados por árvores que ocupam desembocaduras de água doce e zonas costeiras, que existem em 123 países nas regiões tropicais e subtropicais, entre eles o Brasil.
O atlas destaca que uma quinta parte da totalidade dos manguezais se perdeu desde 1980 e adverte que se a destruição continuar nesse ritmo trará como consequência uma deterioração econômica e ecológica de grandes proporções.
A destruição dos manguezais se deve principalmente à pesca de camarões e ao desenvolvimento costeiro, de acordo com o Pnuma. O documento da ONU salientou que os lucros provenientes da exploração desses ecossistemas são estimados entre US$ 2 mil e US$ 9 mil por hectare ao ano - mais que outras atividades, como agricultura e turismo.
Os manguezais são defesas costeiras naturais que ajudam a prevenir a erosão e a mitigar as ameaças dos ciclones e tsunamis, ressaltou o Pnuma. De acordo com o geógrafo Eduardo de Freitas, pesquisador do site Brasil Escola, o Brasil responde por 75% dos 172 mil quilômetros quadrados de manguezais existentes no mundo. São 26 mil quilômetros distribuídos em todo o litoral do País, do Amapá até Santa Catarina.
Os mangues se encontram em ambientes alagados com água salobra, onde são encontradas vegetações com raízes expostas, o que favorece a maior retirada de oxigênio e proporciona melhor fixação na terra. Nessa áreas, há rica diversidade de fauna, uma vez que os mangues compreendem uma faixa de transição entre aspectos terrestres e marinhos, sendo fundamentais para a manutenção da vida marinha.