Rural

Embrapa e Aprosoja vão mapear doença desconhecida da soja


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Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e agrônomos da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) vão mapear as ocorrências de uma anomalia de causa desconhecida que atacou lavouras de soja de Mato Grosso.

O distúrbio, que impede o amadurecimento da planta e causa altos índices de abortamento de flores e vagens, já provocou perdas de até 15%, em média, nas propriedades atingidas. Por ter sintomas parecidos com os da soja louca, doença causada pelo percevejo verde, a anomalia vem sendo chamada de “soja louca 2”.

O levantamento das ocorrências será apenas o primeiro passo para compreender e tentar combater a anomalia. “Já se percebeu que a anomalia atingiu tanto cultivares transgênicos quanto convencionais”, disse o pesquisador Maurício Meier, da Embrapa Soja, durante reunião realizada em Cuiabá.

Região

O gerente técnico da Aprosoja, Luiz Nery Ribas, disse à reportagem que a soja louca 2 se manifesta em “manchas”, e não em áreas contínuas, e que os registros se concentram na região médio-norte do Estado.

“Já vínhamos acompanhando o surgimento dessa situação há uns dois anos, mas eram casos isolados e que não causavam perdas significativas”, afirmou.

“Ainda não há dados consistentes para fazer indicações aos produtores. É uma anomalia nova e há muitas suposições”, disse Ribas.

Em Sorriso (420 km de Cuiabá), a soja louca 2 atingiu uma área de 1.200 hectares do sojicultor Sérgio Antonello Rubin e causou perdas de 15% na produção. “Tivemos talhões (porções de terreno) de 50 hectares inteiramente perdidos”, diz.

Em safras anteriores, segundo ele, foi possível notar o problema, mas as perdas não chegavam a 1%. “Nesta safra, a situação explodiu.” O professor Paulo Degrande, do Departamento de Agronomia da Universidade Federal da Grande Dourados (MS), disse que está sendo discutida a suspeita de que um tipo de ácaro, habitante em abundância nos solos brasileiros, pode ser um dos causadores do distúrbio.

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Agência Rural: área recorde na nova safra

A próxima safra de soja do Brasil poderá ocupar uma área plantada recorde de 24 milhões de hectares, estimou a Agência Rural em sua primeira estimativa de intenção de plantio para 2010/11 no País, o segundo produtor global da oleaginosa após os EUA.

A ser confirmada a previsão, a semeadura de soja do Brasil teria um crescimento de 3% em relação à safra 2009/10, considerando os números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de 23,35 milhões de hectares.

No caso de se repetir a mesma produtividade de 09/10, um ano que o Brasil contou com as boas chuvas do fenômeno El Niño, o Brasil poderia produzir um recorde 70,5 milhões de toneladas, o que seria um aumento de 2,6% na comparação com a colheita encerrada no primeiro semestre deste ano.

Uma safra daquela magnitude já é esperada pela indústria. No início do mês, o presidente da Abiove, Carlo Lovatelli, disse que a nova safra brasileira poderia atingir 71 milhões de toneladas.

Entretanto, há quem diga que a atuação do La Niña em 10/11 possa não favorecer as lavouras como ocorreu a última safra.

Em 09/10, o Brasil obteve uma produtividade média de 2,94 toneladas por hectare, segundo a Conab.

O Mato Grosso, maior produtor brasileiro e um dos primeiros Estados a iniciar a semeadura, em meados de setembro, deverá registrar um aumento de 1,9 por cento na área plantada, para 6,3 milhões de hectares, segundo a Agência Rural.

O Paraná, segundo produtor nacional, também ampliaria o plantio, em 4,3%, para 4,7 milhões de hectares, assim como outros importantes produtores, como o Rio Grande do Sul (+3,1%). Em nenhum Estado a área cairá ante 09/10, segundo a Agência Rural.

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