Notícias de crimes são comuns nas páginas dos jornais. Alguns dizem que tudo começa com a falta de políticas sociais, enquanto outros afirmam que a violência é resultado da grande desigualdade econômica do País. Para o pastor Edson Valentim, a grande responsável é a desestruturação familiar.
Por esse motivo, as campanhas promovidas pela igreja evangélica neste ano, com destaque para a Marcha para Jesus - realizada no dia 21 de agosto em Bauru - têm como tema principal a família.
“Vivemos atualmente uma desestruturação da família. Muitas pessoas nem entendem mais o que isso significa. Além de Deus, que é fundamental, falta a base familiar. E o resultado disso é a violência, jovens envolvidos com drogas e o desequilíbrio emocional”, analisa.
Valentim é também presidente do Conselho de Pastores (Conpev) e defende que optar por caminhos errados independe das condições sociais dos envolvidos. “Muitas pessoas de famílias ricas se envolvem em crimes. Independente do que a pessoa tenha, ela pode seguir uma vida longe de crimes. E é a família que influencia isso”.
No dia 21 de agosto será realizada a tradicional Marcha para Jesus, com o tema “Família - Preserve esse Valor”. O evento anual está na 16ª edição e conta com milhares de fiéis que entoam cantos e orações pela cidade. Neste ano, a marcha sairá da praça Rui Barbosa, às 16h30. “Nos encontraremos lá e será um espaço para orar e cantar”.
Atividades
No local, já está confirmada a apresentação da cantora e pastora Nívea Soares, de Belo Horizonte. De acordo com o pastor Valentim, ela é bastante conhecida no meio evangélico e será um grande atrativo para o evento.
Logo depois, os fiéis caminharão pela avenida Nações Unidas e encerrarão as atividades no Parque Vitória Régia. Durante todo o trajeto, haverá dois caminhões de som que acompanharão e conduzirão os participantes.
O pastor explica que o principal objetivo da marcha é a mobilização do povo evangélico. “Apesar de ter melhorado bastante, a igreja evangélica ainda precisa se unir mais. Somente em Bauru, há 500 igrejas evangélicas. O ideal é que todas participem. A marcha serve para mobilizar o povo evangélico”.
E o contato com a própria cidade também é algo positivo. “O que percebo é que, depois que participam da marcha, as pessoas passam a olhar pelo bem da cidade. Passam a orar por Bauru e pelo próximo de uma maneira que não olhavam antes”, observa o pastor.
No evento do ano passado, participaram da Marcha para Jesus aproximadamente 4 mil pessoas. As expectativas atuais são bastante positivas. “Esperamos dobrar esse público, ou seja, recebermos oito mil pessoas. Pelas nossas experiências, quando vem uma atração importante como é o caso da pastora Nívea Soares, o público chega a esse número”, afirma o pastor Edson Valentim, otimista.
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40 Dias de Oração e Jejum
Com o mesmo tema da marcha, os 40 Dias de Oração e Jejum também serão em favor da família. O pastor Edson Valentim explica que o período compreendido entre 8 de agosto e 17 de setembro será para as pessoas refletirem e orarem pelo bem da base familiar.
“Nos cultos de domingo, os fiéis poderão adquirir por R$ 5,00 um pequeno livro com 40 formas de meditação e motivos de oração. No culto já iremos orar para a família, mas esse período de 40 dias é para a própria família se reunir e orar por ela e por outras”, explica.
Em relação ao jejum, o pastor esclarece que não precisa ser necessariamente o ato de deixar de se alimentar. “Nosso jejum tem uma liberdade maior. A pessoa não precisa deixar de comer. Tanto ela pode deixar de fazer uma refeição como pode deixar de ver televisão em determinado horário. A ideia é deixar de fazer algo importante para orar”, finaliza.
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Para o pastor Edson Valentim, as leis estão regulando as distorções
No último dia 13, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou proposta de lei que trata da fixação de penalidade para casos de espancamento contra menores no País.
O pastor Edson Valentim afirma que é necessário os pais manterem uma disciplina junto aos filhos. “Hoje em dia, vemos as crianças crescendo sem freio. Às vezes, é preciso disciplinar os filhos além das conversas. Não falo de bater, porém, uma palmadinha pode disciplinar a criança”, contrapõe.
Em visita a Bauru na última segunda-feira, o ministro da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, explicou que a proposta não se trata de penalizar uma “palmadinha”, mas sim espancamentos repetidos.
“Nós não estamos falando de uma palmadinha ou outra, de um beliscão ou outro. As palmadinhas e beliscões podem e devem ser discutidos, conversados nas escolas, clubes, igrejas, se é bom ou ruim. Estamos falando de Isabella Nardoni (morta aos 5 anos, em 2008, ao ser atirada pela janela do 6.º andar do apartamento onde o pai dela vivia com sua madrasta) e de tantos outros casos”, declarou o ministro na ocasião.
Outra mudança na legislação comentada pelo pastor Valentim é a Proposta de Emenda da Constituição (PEC) que agiliza o processo de divórcio. Na avaliação dele, “a lei está regulando uma distorção da realidade. A lei não está errada. A postura das pessoas é que está. A lei vem só regular isso”.
Na visão do pastor, as pessoas não entendem o significado de casamento. “Elas casam somente para serem felizes e não pensam em fazer o outro feliz. Assim, começam a trocar de parceiro e desfazem o laço do casamento. A instituição da família está cada dia mais desvalorizada”, questiona.
A PEC foi promulgada pelo Congresso também no dia 13 de julho e determina que, para se divorciar, não será necessário esperar um ano após separação formal (judicial ou cartório) ou dois anos da separação de fato (quando o casal deixa de ter vida em comum).