Bairros

Pais de Carreira revivem dor da perda após absolvição de policial

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Para os pais do soldado da Polícia Militar (PM) Luís Gustavo Carreira, assassinado em 2008, a absolvição do acusado do crime, o também soldado Halley Thiago Sossai, foi como reviver a dor da perda do filho dois anos após sua morte. Ambos se dizem inconformados e frustrados com a decisão do Conselho de Justiça do Tribunal de Justiça Militar (TJM), que, anteontem, por unanimidade, considerou que Sossai não poderia ser punido porque agiu em legítima defesa.

A mãe, Rosana Aparecida dos Santos Carreira, ainda não se recuperou do que considerou uma derrota para a família. Ontem, ainda bastante abalada, enquanto folheava álbuns de fotografias ela relembrava histórias do filho, que desde pequeno era apaixonado pela PM.

“É uma dor muito grande perdê-lo e, ainda por cima, saber que ninguém vai ser punido. O meu filho, que é a vítima, foi transformado em culpado por sua própria morte”, lamenta. Rosana refere-se à parte da argumentação da defesa, que destacou que o assassinato poderia ter sido evitado se Carreira não estivesse ziguezagueando com seu carro na rodovia Marechal Rondon, quando foi visto por Sossai, e tivesse se identificado como policial quando abordado por ele.

“Mas é claro que ele não iria se identificar. Ele era policial e tinha um cara com uma arma apontada para ele, um cara que o seguiu desde a rodovia. Ele não sabia se essa pessoa era um bandido e simplesmente foi executado”, observa o pai da vítima, Darci da Costa Carreira.

Para ele, não foi a reação do filho, mas a postura “agressiva” de Sossai que resultou na tragédia. “Ele (réu) não estava trabalhando, não estava identificado, então não tinha que perseguir ninguém. Ele agiu por conta própria, colocando em risco a vida de dois civis (estava com a namorada e uma amiga no carro). Meu filho não estava dirigindo perigosamente, tanto é que ele passou pela avenida Getúlio Vargas em plena sexta-feira e chegou em casa (na Vila Monlevade) sem provocar nenhum acidente.”

Carreira, que atuou por apenas cinco anos na polícia, foi morto aos 26 anos, em 26 de julho de 2008. Na ocasião, ele e Sossai estavam à paisana e armados. Ambos teriam efetuado disparos, mas a perícia não conseguiu determinar quem atirou primeiro. Primogênito de uma família de dois irmãos, ele deixou um filho de 3 meses, Matheus. Hoje a criança tem 2 anos e é uma das poucas fontes de alegria dos avós. “É um pedaço dele que Deus nos deixou. Somos muito ligados”, diz Rosana.

Ela conta que, há apenas um mês, decidiu desmontar o quarto do filho assassinado - que contava com uma coleção de carros de polícia em miniatura e uma parede com estampa camuflada - para tentar superar o trauma. No entanto, o quadro que ela pintou a pedido de Carreira - uma cena em que Jesus surge de uma nuvem e ilumina um carro que polícia que circula à noite pela rua - continua pendurado na parede de um dos corredores da casa. “Ele era religioso, ia à missa todo domingo.”

Embora decepcionados com a decisão da Justiça, ela e o marido ainda acreditam que um novo julgamento, em segunda instância, possa resultar em punição para Sossai. “A gente tem que acreditar nisso, porque a justiça não foi feita até agora”, pontua Darci.

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MP irá recorrer

Procurada pela reportagem na tarde de ontem, a promotora de Justiça Patrícia Tiemi Momma informou, por meio da assessoria de imprensa da 4ª Auditoria do Tribunal de Justiça Militar da Capital, que irá recorrer da decisão do Tribunal de Justiça Militar (TJM), que absolveu Halley Thiago Sossai da acusação de homicídio culposo pela morte de Luís Gustavo Carreira. A apelação do Ministério Público deve ser interposta ainda hoje.

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