Polícia

Após 72 dias, Bauru tem morte no trânsito e familiares reclamam de demora de 3h

Alexandre Padilha
| Tempo de leitura: 2 min

Desde o dia 10 de maio Bauru não registrava morte em decorrência de acidentes de trânsito, marca considerada inédita desde que a cidade passou a ser considerada de médio porte. O tempo de segurança nas vias públicas foi interrompido na madrugada de ontem, quando o vigia noturno Dirceu Massanaro, 54 anos, foi encontrado morto na quadra 3 da rua Álvaro Lamônica, no Jardim Estoril. Além de lamentar a tragédia, a família reclamou muito da demora de chegada das autoridades, principalmente do carro que levaria o corpo ao IML - cerca de 3 horas.

O boletim de ocorrência (BO) registrado no Plantão Policial relata indícios de atropelamento e indica que o responsável fugiu do local sem prestar assistência. No primeiro semestre deste ano, Bauru teve sete acidentes de trânsito fatais em sua área urbana contra 19 registros com morte nos primeiros seis meses de 2009 e 14 vítimas fatais no mesmo período de 2008. Ontem, quando a cidade registraria 73 dias sem mortes relacionadas a batidas de veículos ou atropelamentos, a sequência foi interrompida por um tipo de ocorrência que choca ainda mais a população, com a falta de assistência prestada à vítima.

O vigia noturno foi encontrado às 5h30 da manhã de ontem na quadra 3 da rua Álvaro Lamônica, no Jardim Estoril, tendo uma bicicleta a seu lado. De acordo com o BO redigido no Plantão Policial, os indícios indicam que Massanaro foi vítima de atropelamento.

O registro trabalha com a hipótese de homicídio doloso e uma investigação policial será iniciada para encontrar a pessoa que atropelou o vigia, já que o acusado pelo atropelamento teria fugido do local sem prestar socorro.

Segundo a delegada que registrou a ocorrência, Cássia Regina Viranda Cancian, a equipe de policiais tentou encontrar testemunhas ontem, mas como o acidente ocorreu durante a madrugada, esta abordagem ficou comprometida. “Agora, estamos tentando localizar câmeras de segurança das residências para ver se alguém conseguiu filmar a placa do veículo”, destacou Cássia.

Volta do trabalho

De acordo com Ana Alice do Carmo, tia de Flávia Fernandes Massanaro - esposa de Dirceu Massanaro -, o vigia noturno costumava ir trabalhar de bicicleta sempre que estava calor. “Ele sempre voltava para casa nesse horário e nunca tinha acontecido nada”, relatou Ana.

Ela disse que Massanaro trabalhava há cerca de 18 anos como vigia noturno de uma empresa e destacava-se por ser um homem carismático e dedicado aos serviços. “Era trabalhador, bem quisto no serviço. Não media esforços e sempre trabalhou muito”, definiu.

Ana contou ainda que Massanaro nasceu em Piratininga, mas mudou-se muito jovem para Bauru. Aqui ele teve três filhas em seu primeiro casamento, Luciana, Lucimara e Damaris, e acabara de ter uma filha com Flávia Fernandes. “Ele teve uma filha com minha sobrinha. A bebê se chama Eloá e tem apenas 4 meses”, lamenta, ao comentar que Massanaro era extremamente carinhoso com as filhas. “Era muito atencioso, a Eloá não gostava de sair do colo dele”, lembra Ana.

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