Passados dois dias do assassinato da estudante Jéssica Amaro Luiz, 19 anos, encontrada seminua e com o rosto desfigurado na rua Newton Prado, na Vila Independência, a família cobra a solução urgente do caso, devido à personalidade violenta que demonstrou ter o autor do homicídio. O crime brutal contra a garota, assassinada a pedradas na madrugada do último dia 21, chocou Bauru e provocou indignação, tristeza e dor profunda aos parentes da jovem.
O homicídio também aumentou a sensação de insegurança na cidade, que se sente cada vez mais acuada devido à crescente onda de violência registrada nos últimos meses. Jéssica foi a 27.ª pessoa e a segunda mulher assassinada em Bauru neste ano, de acordo com levantamento feito pelo JC. Apenas no primeiro semestre de 2010, uma média de quatro mulheres ao dia procuraram a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em razão de agressões sofridas, sendo que uma estimativa de outras quatro tenham deixado de registrar queixa por medo ou vergonha.
Uma das linhas de investigação consideradas para o caso de Jéssica é a hipótese de crime passional e, de acordo com o delegado da equipe de homicídios da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Paulo Calil, que preside o inquérito, já há um suspeito de ter cometido o crime. O nome, no entanto, não será divulgado para não prejudicar o trabalho de apuração.
Para a família, a solução do homicídio será um alento para um crime bárbaro e, ainda, sem explicação. “Mesmo que peguem quem matou a Jéssica e essa pessoa diga porque fez aquilo, vai ser difícil entender, mas a justiça precisa ser feita”, observa o tio da vítima, Cléber da Silva Amaro. Ele trabalha como funcionário público e tem sua própria casa, mas tem passado as noites ao lado da irmã, a mãe de Jéssica, Ana Paula da Silva Amaro, 40 anos, que permanece sob efeito de medicamentos.
Ontem, enquanto a reportagem conversava com Cléber, a mãe chamava, do quarto, incessantemente pelo nome da filha. “A Ana Paula não come, não dorme e chora o dia inteiro. Desde que tudo aconteceu, está sendo difícil para ela. Acho que a gente vai ter que procurar um médico para um tratamento. Sozinha, acho que ela não vai conseguir se recuperar”, aponta o padrasto da vítima, Élio Soares dos Santos.
Sonho
Segundo a irmã mais velha da vítima, Bruna Amaro Luiz, 20 anos, Jéssica e Ana Paula eram muito apegadas. “Eu não sou tão ligada à minha mãe como a minha irmã era. As duas ficavam muito tempo juntas, se davam muito bem. A Jéssica era muito carinhosa, fácil de lidar, era tranquila, não tinha o que falar dela”, revela.
O tio conta que a garota, que frequentava o terceiro ano do Ensino Médio na Escola Estadual Plínio Ferraz, também era bastante estudiosa e só obtinha boas notas. Nas horas de lazer, gostava de sair à noite com os amigos, jogar futebol e videogame.
“Ela gostava de se divertir, mas era dedicada e não dava trabalho nenhum. Além de estudar, às vezes era chamada para fazer uns bicos como garçonete em buffets e dizia que queria viver disso. Sonhava com um emprego fixo nesse ramo”, comenta o tio.
Foi em uma noite em que pretendia se divertir que Jéssica saiu de casa, não voltou mais e perdeu sua chance de sonhar com o futuro. Baseado nos ferimentos encontrados, a polícia acredita ela tenha sido morta com pancadas na cabeça. A provável arma do crime seria um tijolo de concreto de 20 a 25 quilos, que estava manchado de sangue ao lado do corpo da vítima.
As investigações averiguam ainda a hipótese de Jéssica ter sido estuprada, já que ela foi encontrada sem vestimentas da cintura para baixo. Segundo a DIG, o caso deve ser solucionado dentro dos próximos dias.