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Seleção Brasileira: Mano deve confirmar ‘sim’ hoje à Seleção


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Com a recusa de Muricy Ramalho, que não foi liberado pelo Fluminense, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) agiu rápido para encontrar um novo treinador para a Seleção. Na noite de ontem, o presidente da entidade, Ricardo Teixeira, formalizou o convite oficial a Mano Menezes, do Corinthians, para assumir o cargo. E ele prometeu dar a resposta apenas hoje, mas um comunicado oficial da CBF, divulgado ontem em seu site, praticamente já garantia o gaúcho no cobiçado cargo.

A primeira opção da CBF foi Muricy. O convite foi feito na manhã de ontem, durante uma reunião no Rio. O treinador aceitou a oferta de Ricardo Teixeira, mas avisou que ainda era preciso conseguir a liberação do Fluminense, com quem tem contrato. Como o clube carioca decidiu segurá-lo, ele comunicou a CBF no início da noite que não poderia assumir o comando da Seleção.

Diante disso, Ricardo Teixeira ligou imediatamente para Mano Menezes e fez na noite de ontem o convite para que ele seja o novo comandante da Seleção Brasileira até a Copa de 2014. Ao contrário do que aconteceu com Muricy, o Corinthians não irá dificultar a liberação do seu treinador. Assim, o técnico deve anunciar hoje que será mesmo o substituto de Dunga.

Em comunicado oficial divulgado no site da CBF, Ricardo Teixeira revelou que Mano Menezes fazia parte de uma lista elaborada por ele, ainda na África do Sul, com três treinadores que poderiam assumir o comando da Seleção. “Conversei com muitas pessoas, assisti a debates em vários programas esportivos e ouvi também torcedores para chegar a três nomes”, disse o dirigente, sem citar quem seria o outro candidato além do próprio Muricy.

“O que determinou a escolha foi o entendimento de que é necessária uma imediata renovação na Seleção Brasileira, o que o Mano Menezes iniciará já na convocação para o amistoso do dia 10 de agosto contra os Estados Unidos”, anunciou Ricardo Teixeira, dando como certa a resposta positiva do treinador do Corinthians, a quem prometeu apoio irrestrito até a Copa de 2014.

“Nesse sentido, Mano Menezes atende plenamente ao projeto traçado pela CBF. Técnico que conquistou o respeito pelo seu trabalho à frente do Grêmio e agora no Corinthians, marca a sua trajetória pelo equilíbrio e tem como característica o fato de gostar de trabalhar e lançar jovens jogadores. Na conversa que teve com Mano Menezes, Ricardo Teixeira assegurou que o técnico terá o apoio irrestrito para exercer sua tarefa, como sempre aconteceu com todos os profissionais que trabalharam na Seleção Brasileira na sua administração”, conclui o texto oficial da CBF.

Parreira é preferido

Carlos Alberto Parreira é a primeira opção da diretoria para a vaga de Mano. A negociação do clube com o técnico começou no meio da semana.

Adilson Batista, cuja negociação esfriou após os contatos de Parreira, é mantido como espécie de carta na manga para o caso de as conversas não evoluírem.

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Recusa do Flu teve motivos políticos

A diretoria do Fluminense se surpreendeu, na manhã de ontem, ao saber que o técnico Muricy Ramalho estava reunido com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, em um clube da zona oeste do Rio. Havia o temor de que ele largasse o time na liderança do Campeonato Brasileiro e assumisse a Seleção.

Cerca de duas horas depois que o encontro terminou, a cúpula do Fluminense entrou em contato com o representante do treinador, Márcio Rivelino, e ouviu o que tanto queria: Muricy Ramalho permaneceria no clube, pois já havia acertado verbalmente a renovação de contrato até dezembro de 2012 antes de receber o convite da CBF. Todos nas Laranjeiras respiraram aliviados.

“O Muricy vai continuar conosco, vai cumprir seu compromisso. Pessoas do nível dele são necessárias no esporte mundial”, disse o presidente do Fluminense, o médico Roberto Horcades, em entrevista coletiva na tarde de ontem, no salão nobre das Laranjeiras. Deu o recado e foi embora. Tinha de voltar para o consultório.

Mais cedo, o desabafo de Horcades à Agência Estado, dizendo aos gritos que a CBF tinha de ir atrás do técnico Mano Menezes, do Corinthians, é um exemplo de que sua relação com Ricardo Teixeira não é das melhores. Ao contrário. Cardiologista e ex-diretor do Hospital das Laranjeiras, Horcades chegou a ser amigo e médico de Teixeira.

Ao tomar posse no Fluminense, em 2005, Horcades foi várias vezes cortejado pelo presidente da CBF. Nos últimos três anos, tornou-se o dirigente de maior prestígio na entidade, tendo participado de comissões na Confederação Sul-Americana de Futebol e na Fifa. Em conversas reservadas, Horcades falava que seria o sucessor natural de Ricardo Teixeira na CBF. Houve algumas desavenças entre eles e a ruptura se deu na reeleição de Fábio Koff na presidência do Clube dos 13, em abril. O motivo: o presidente do Fluminense não votou no candidato apoiado pela CBF, no caso Kléber Leite, ex-presidente do Flamengo.

Com isso, a relação entre clube e entidade ficou totalmente estremecida. Nos bastidores das Laranjeiras, na zona sul do Rio, havia comentários ontem de que o convite a Muricy Ramalho, em parte, teria o interesse político de atingir o Fluminense, líder isolado do Campeonato Brasileiro com um time ajustado. Após ser convidado para ser o novo técnico da seleção, Muricy seguiu sua rotina. Foi para o clube, passou apressado pelo estacionamento, entrou no vestiário, trocou de roupa e comandou o treinamento. Depois da atividade, Muricy saiu em silêncio. Conforme combinado antes da proposta da CBF, Muricy Ramalho vai assinar, na semana que vem, um outro contrato com o Fluminense, com um pequeno reajuste salarial e validade até dezembro de 2012.

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