Regional

Agudos tem duas e deverá ganhar a terceira unidade de ensino superior

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 9 min

O município de Agudos está localizado a apenas 13 quilômetros de Bauru, portanto perto o bastante para que seus moradores estudem na cidade vizinha. Com uma arrecadação de fazer inveja a outros municípios, Agudos ganhou duas faculdades nos últimos 12 anos.

A primeira a se instalar na cidade foi a FAAG. Mais recentemente um grande grupo, o Anhanguera, também implantou uma unidade no município. Uma terceira instituição de ensino superior já escolheu Agudos para sediar uma faculdade.

A notícia da instalação da terceira faculdade no município com 40 mil habitantes está guardada a sete chaves pelo prefeito Everton Octaviani. “Eles estão escolhendo uma área, mas não posso falar sobre isso. Fui procurado por eles e estamos conversando. Eles vão oferecer cursos diferentes daqueles que as duas unidades de ensino superior daqui oferecem.”

Na opinião do prefeito, a demanda existente na cidade exigiu a instalação das duas unidades, além de tornar o município atrativo a outros grupos. “Os moradores precisam de profissionalização. Até anos atrás, eles não tinham a opção de estudar na cidade. Todos tinham que viajar.”

O deslocamento de estudantes era sinônimo de despesas para a prefeitura. “Os estudantes que comprovam a falta de condições para o transporte a fim de estudar, nós auxiliamos. Eles passam por uma triagem social. A qualificação profissional dentro do município traz economia para a prefeitura o que possibilita investimentos em outras áreas. Muitas famílias sofriam quando os filhos tinham que deixar a cidade para fazer um curso de nível superior.”

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Pequenas enfrentam obstáculos para aprovação de novos cursos no MEC

O sistema regulatório do Ministério da Educação e Cultura (MEC) dá o mesmo tratamento para as pequenas e grandes instituições de ensino superior, sinônimo de obstáculo para as de pequeno porte que fincam os pés no objetivo de formar profissionais para aquela região. Elas enfrentam problemas com a morosidade do órgão, especialmente quando o assunto é autorização para novos cursos.

O diretor executivo do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior de São Paulo (Semesp), Rodrigo Capelato, é enfático em dizer que as pequenas são penalizadas com critérios que só deveriam valer para as grandes. “São critérios que valem muito mais para universidade onde tem pesquisa. As faculdades têm outra missão. Querem formar o jovem daquela região e mantê-los por ali. Tem um papel muito importante. O MEC trata todo mundo igual”, lamenta.

Vários casos podem ilustrar a questão. O diretor conta que na Bahia uma escola de ensino superior foi penalizada na avaliação do MEC porque não tinha o número mínimo de doutores em seu quadro de docente. “Não é porque ela não queria. Naquela região do país, não há doutores naquela matéria e isso não foi considerado. Outra, no Estado de São Paulo foi prejudicada porque os cinco cursos já implantados não foram avaliados pelo MEC que demora a fazer o trabalho. Em consequência, a faculdade teve podado o seu projeto de expansão.”

A burocracia do ministério é obstáculo para a FAAG de Agudos, comenta a mantenedora, Márcia Regina Vassoler . “Nós fazemos pesquisa de mercado e levantamos as necessidades de novos cursos. Porém quando pedimos autorização do MEC deparamos com a morosidade, burocracia. Demora até dois anos para obter autorização. Só as universidades têm autonomia para criarem novos cursos.”

A saída encontrada pelas chamadas faculdades isoladas é fazer planejamento para cinco anos, explica a mantenedora. “O problema é que não tem como prevê com tanta antecedência. O mercado é dinâmico. O que é necessidade hoje pode não ser amanhã. Outro problema bastante comum enfrentado pelas faculdades de pequeno porte é quanto a busca de recursos para expansão, aponta o diretor do Semesp. “Essas não têm força para conseguir empréstimos junto aos bancos.”

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Faculdades privadas de Lins ajudam a alavancar desenvolvimento da cidade

Com uma população beirando os 80 mil, o município de Lins tem alguns grupos privados de ensino superior. Além de proporcionar conhecimentos, as unidades de ensino participam da incubadora de empresas, como patrocinadoras, dando suporte para o desenvolvimento da cidade.

A UniLins e a Unisalesiano são fundações e têm centro universitários. A Universidade Metodista de Piracicaba tem um câmpus e a Fatec instalou uma unidade na cidade há dois anos. Segundo o secretário do Desenvolvimento, Israel Antônio Alfonso, para Lins esse é um potencial extraordinário.

“A Unilins e a Unissalesiano são patrocinadoras da incubadora de empresas. Com isso, elas oferecem estágios aos universitários e desenvolvem novas empresas que podem, no futuro, se tornarem campo de trabalho para esse profissional.”

Além de conhecimentos, a Unilins está promovendo um ‘intercâmbio cultural’ entre os moradores de Lins e de Angola. “Eles mantém um convênio com uma instituição de petróleo de Angola. Essa empresa oferece uma bolsa de estudos. Atualmente são 140 angolanos que estudam em Lins.”

A presença dos universitários angolanos movimenta o comércio local e o setor imobiliário. “Eles moram aqui durante todo o curso. A empresa aluga imóveis. Uma vez por ano recebemos um grupo de angolanos que fazem visitas aos estudantes.”

Em função dessa população flutuante, a vida cultural da cidade mudou. “Incluímos no nosso calendário de eventos a festa da independência deles. Os universitários tem atraído outros estudantes, parentes e amigos que estão vindo buscar conhecimento, mesmo sem a bolsa da empresa.”

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Curso de logística tem foco na comunidade local

Por orientação da Fundação Seade, a Fatec de Lins oferece curso de logística, lembra o secretário Israel Antônio Alfonso. “A primeira turma vai se formar no final deste ano. Havia necessidade desse tipo de profissional, uma vez que Lins desponta como centro logístico importante, uma vocação da cidade.”

Alfonso explica que a facilidade em receber insumos e distribuir os produtos tem atraído empresas. “A facilidade de comunicação com as demais cidades do Estado de São Paulo através da rodovia BR 153, da Marechal Rondon, da ferrovia e hidrovia.”

A Fatec, segundo o secretário, pretende ampliar seus curso e suas instalações. “Estamos doando uma área para que eles instalem um centro universitário e ampliem os cursos para cinco, em curto prazo.”

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Faculdades de Agudos já têm juntas mais de 500 alunos e cursos pontuais

A FAAG de Agudos iniciou suas atividades em Agudos a partir de 2002, dando sequência aos trabalhos de um centro de ensino fundado em 98 na cidade. Começou com três cursos: administração de empresas, pedagogia e turismo. Mais recentemente, foi implantado o curso de engenharia de produção, atendendo a uma demanda reprimida. No total, tem cerca de 450 alunos.

Márcia Regina Vassoler, mantenedora da instituição de ensino, explica que por conta da Duratex, Ambev, Tudor e de outras empresas da região, havia uma demanda. ‘Fizemos uma pesquisa e implantamos o curso que atende a uma necessidade local e regional.”

"Apesar de ser considerada de pequeno porte, a FAAG tem um corpo docente formado por mestres e doutores, o que fez com que ela conquistasse conceito máximo na última avaliação do MEC", comemora a mantenedora.

“Fomos os únicos a ter conceito cinco, nota máxima. Ficamos à frente de instituições tradicionais da região.”

A Faculdades Anhanguera mantém em Agudos um pólo de ensino com cursos de logística e pedagogia, num total de cerca de 60 alunos. A unidade é uma extensão da faculdade de Bauru e pode crescer em breve na cidade.

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Piratininga comemora conquista da primeira unidade de ensino superior

O prefeito de Piratininga (13 quilômetros de Bauru), Odail Falqueiro, está entusiasmado com a chegada de uma unidade de ensino superior na cidade e credita a conquista a ele mesmo. “Fiquei sabendo que existia uma instituição de ensino interessada e corri atrás. Para nós, a instalação só tem pontos positivos.”

Dentre eles, a geração de emprego em faixas diferenciadas da população. “Uma faculdade em nossa cidadea tem vários aspectos positivos. Vai gerar empregos desde a construção do prédio e depois de instalada vai gerar empregos para vários tipos de profissionais.”

Falqueiro acredita que a unidade de ensino superior vai mexer com a economia local, movimentando restaurantes, o setor imobiliário e o comércio local. “A permanência dos estudantes garante o consumo no comércio local. A cidade vai ter o status de ter ensino superior, o que é muito importante para os moradores.”

Piratininga tem apenas 12 mil habitantes e a cidade vai inaugurar uma nova fase com a primeira escola de ensino superior de sua história. “A faculdade vai servir Piratininga e região, uma vez que vai estar na rodovia Bauru/Ipaussu com fácil acesso para rodovia Marechal Rondon, portanto, com possibilidade de servir a região”.

Inicialmente, segundo o prefeito, a unidade vai oferecer um único curso, o de administração de empresas, a partir do segundo semestre do próximo ano. “A promessa dos empreendedores é implantar um curso novo a cada ano, durante cinco anos.”

No entender de Falqueiro, em cinco anos a prefeitura irá economizar no deslocamento de estudantes que atualmente demanda três ônibus diários para Bauru. “Logicamente que vamos economizar. São cerca de 100 estudantes que transportamos todos os dias para estudar em Bauru. No quinto ano de implantação da faculdade, muitos cursos serão oferecidos aqui e com certeza o número de alunos a ser transportados vai diminuir.”

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Empreendedor investe R$ 500 mil na fase inicial

A primeira faculdade de Piratininga também será a número um em graduação do empreendedor Rafael Pineli.

Experiente na pós-graduação em Odontologia, ele resolveu investir na área de educação e de início vai investir R$ 500 mil para montar a estrutura que vai acolher os estudantes que disputarem as 100 vagas que serão oferecidas para o curso de administração de empresas, a partir do 2o semestre de 2011.

O local escolhido é estratégico para a escola de ensino superior, que pretende atender os moradores de Piratininga e região. “Escolhemos o Distrito Industrial porque ele fica na rodovia Bauru/Ipaussu com acesso para várias cidades. Pretendemos atender os interessados de Santa Cruz do Rio Pardo e região.”

O plano de cinco anos inclui cursos de direito, ciências contábeis e pedagogia. “O investimento é progressivo. No prazo de cinco anos vamos ampliar o prédio para acolher os novos cursos previstos. A área é de 14 mil metros quadrados e inicialmente vamos fazer dois blocos que somam 1.200 metros quadrados.”

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