Procurando tornar realidade o plantio de ipês em áreas próximas à entrada principal de acesso a nossa cidade, contatei amigos, políticos e centenas de pessoas dos mais variados segmentos sociais e até agora só encontrei um indivíduo frontalmente contrário ao meu objetivo, alegando que “os vereadores têm assuntos mais importantes para se preocupar que elaborar leis garantindo o plantio de árvores”. Por questão de ética, vou preservar o nome dessa “criatura desavisada”.
No entanto, necessário se faz esclarecer que eu só preciso de 500 a 600 mudas da espécie para reflorestar um terreno ocioso localizado ao lado da rotatória do Viaduto Ivani de Mello Kubota, margeado também pela Rua das Margaridas e Rua dos Cravos, no Jardim Rinaldi. Pretendo, também, estender o plantio no canteiro central entre a Rodovia Marechal Rondon e a Avenida Marginal, partindo em linha da referida rotatória do trevo até bem próximo a base da Polícia Rodoviária. Formando, assim, o mais belo cartão de visitas que uma cidade interiorana pode apresentar.
E que cada muda fincada no solo seja um tributo à vida, homenageando as crianças que vierem a nascer em Pirajuí. Quanto ao trabalho de cavar a terra, caso não encontre outras pessoas imbuídas de tal propósito, faço questão de realizá-lo com as minhas próprias mãos. E farei isso com muito orgulho, alicerçado na certeza de que plantar árvores não é crime. Arrancá-las seria, se a legislação vigente fosse praticada com mais amor e aplicada com mais rigor.
Sendo assim, para despertar a “criatura letárgica” vale informar que jamais terá o desprazer de presenciar qualquer membro do legislativo praticando tarefa tão árdua. Até porque, aos vereadores sobra a missão de elaborar leis de acordo com as necessidades coletivas e fazer valer as já existentes. Mas, não custa lembrar, que cabe sim aos poderes constituídos certos cuidados com o meio ambiente. Isso, inclusive, está previsto na lei Orgânica do Município. O que não está previsto é criticá-los aqui e agora. No futuro, se necessário for, o farei e escreverei artigos tão precisos quanto golpes de samurais.
No momento, sou humilde o bastante para confessar que espero receber apoio irrestrito da classe política. Afinal, até agora só as promessas criaram raízes na lama da burocracia. O que é uma pena, pois defendo essa idéia desde 2005, tempo suficiente para que os Ipês sim, já estivessem enraizados e até produzindo as primeiras flores.
O que causa perplexidade é verificar que em plena era da digitalização, quando a raça humana dá passos largos rumo ao futuro para alcançar o real desenvolvimento mental, ainda exista pessoas que de quatro, caminha de costas e para trás. Com agravante: com os olhos e ouvidos tapados. Pois não escutam poesias e tampouco, enxergam flores.
Esse tipo de gente, além de nada produzir, exceto pessimismo e intriga, não raro, compromete qualquer sociedade organizada que, por castigo, venha a fazer parte. Como não gosta de executar tarefas úteis e é contrário ao trabalho, lhe sobra tempo para distribuir maledicências, principalmente contra quem procura ir um pouco além de cumprir as obrigações e é cônscio de seus direitos. Por essas e outras, sempre defendi a tese que todo cidadão deveria ter o mínimo de conhecimento do que é realmente praticar política em prol dos interesses coletivos. Justamente porque política é a arte que consiste em servir sem nada esperar em troca, a não ser o prazer da própria realização.
Sei, também, que esse texto pouca utilidade trará ao indivíduo que defendeu com “unhas e dentes” os membros do Poder Legislativo de Pirajuí, porque sem sombra de dúvidas os aduladores não perdem oportunidade de rastejar iguais a animais peçonhentos diante do poder.
Confesso que há muito tempo aprendi a conviver com as diferenças raciais, sociais, religiosas, culturais, intelectuais, sexuais, etc. Mas, diante do exposto, não posso calar, acreditando que os aduladores precisam ser extirpados de todas as áreas do conhecimento humano, seja na política, religião, filosofia, ciência, artes, etc. Quando isso ocorrer, teremos um mundo melhor. Afinal, um adulador pode causar de um pequeno desentendimento até a terceira guerra mundial. No entanto, a extinção da “espécie” só se dará através da educação e total evolução humana.
Um tanto difícil, eu sei, enquanto existir cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado em matéria de ignorância. (O autor, Otávio Patuço,. é poeta pirajuiense, ex-coordenador do Procon e ex-diretor da Divisão Tributária e Administrativa do Município de Pirajuí)