Bairros

Turco, não!

Wanessa Ferrari
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Segundo relatos da própria colônia libanesa de Bauru, a mudança dos patrícios para o Brasil, especialmente para Bauru, foi marcada por muita tranquilidade. Exceto pela fama de ‘turco’ que, mesmo sem querer, trouxeram na mala e carimbado no passaporte.

Ainda hoje é comum a confusão. Libaneses e povos vindos de países árabes, seja pela feição, seja pelo idioma, são generalizados e enquadrados pela maioria dos brasileiros na categoria dos ‘turcos’. Classificação que causa arrepios na colônia árabe.

“Odiamos ser chamados de ‘turcos’. Ficamos conhecidos desta forma porque durante mais de quatro séculos o Líbano foi dominado pelo império turco-otomano. Eles fizeram barbáries com o nosso povo e com o nosso país. Muitos de nós abandonamos o Líbano por causa dos turcos”, explica Massaad Kalim Massaad, 70 anos, atual presidente do Clube Monte Líbano de Bauru.

A associação da imagem dos libaneses aos turcos foi reforçada quando, ao vir para o Brasil, apresentaram passaporte com o carimbo que vinha com a inscrição da Turquia. Mais de um século depois, os libaneses ainda lutam para desassociar a imagem de seu povo à dos turcos e pedem aos bauruenses: ‘Por favor, turco, não!’.

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