Desde as primeiras civilizações, a dança sempre foi empregada como forma de expressão. Para alguns povos, se tornou sinônimo de sedução. Há também quem a use para demonstrar poder. Já para os libaneses, a dança é uma forma descontraída de confraternização.
Porém, se engana quem pensa que a dança do ventre, famosa no mundo todo, é o estilo que melhor representa o país. No Líbano, o dabke é a dança mais tradicional. Sua coreografia é composta por batida de pés e gritos, na frequência de uma música animada.
O descendente de libaneses Dimas Thomé, 32 anos, aprendeu a dançar o dabke quando ainda era criança, observando seus pais e parentes em festas familiares. Decidiu estudar melhor o estilo quando tinha 14 anos. De lá para cá, passou a fazer apresentações ao lado da mãe, dona de uma escola de dança em Botucatu, e da esposa, Fernanda Leão Andreciolli Thomé, 30 anos, que aprendeu a dançar o estilo por incentivo de Dimas e da sogra.
“Me encantei pelo dabke porque é uma dança carregada de significados. Cada movimento tem um sentido, um fundamento. É uma dança típica masculina, porém, atualmente, as mulheres passaram a acompanhar”, explica Dimas.
O sentido de confraternização, atribuído à dança, tem origem nas tradições libanesas. A dança teria surgido em uma época em que os tetos das casas ainda eram de barro. Reza a história que, com a mudança das estações e a entrada do inverno, o barro rachava e os tetos das casas cediam pouco a pouco. Para consertá-lo, o dono da casa chamava os vizinhos que, em fila, sobre a laje, davam as mãos e batiam os pés sobre o teto, afim de reacomodar o barro, em um gesto de ajuda mútua.
Dimas explica que a principal dificuldade ao dançar o dabke é conciliar os movimentos com força, caracterizada na batida dos pés e dos gritos, com gestos de leveza, utilizada no momento dos saltos.
“Os libaneses não sentem vergonha. Dançam o dabke dos mais novos aos mais velhos, que, inclusive, puxam o cortejo. Para nós, o dabke é algo que está enraizado. A tradição é um orgulho para a colônia”, destaca.