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Fórmula Um ou zero?

Leandro Alves Ribeiro
| Tempo de leitura: 3 min

A Fórmula Um vem mostrando toda a sua decadência. Depois da época de ouro de Fanggio, Prost e Senna, veio a fabricação de um campeão e um monte de sujeira que transformou a principal categoria do automobilismo em tão somente um meio de ganhar dinheiro.

Juan Manuel Fanggio, Emerson Fitipaldi, Piquet, Prost, Mansel, Rosberg, Nikki Lauda e o melhor de todos os tempos, o saudoso Ayrton Senna, fizeram da F-1 um espetáculo, um circo, travaram grandes duelos, disputas espetaculares e cada ultrapassagem era imediatamente supervalorizada pelo rival. Senna versus Prost, Piquet versus Mansel e outras rivalidades faziam com que o mundo parasse para assistir um simples GP, mesmo que o campeonato ja tivesse um campeão definido. A Fórmula Um antes da morte de Senna era espetacular ou qual brasileiro nunca se emocionou em uma manhã de domingo quando um de nossos conterrâneos recebia a bandeira quadriculada e levava o hino e a bandeira brasileira para o topo do pódium nos enchendo de orgulho.

Uma época de ouro que pelo andar das coisas, parece estar longe de ser reproduzida na atual F-1. Schumacher e o seus títulos mundiais, foram uma tentativa da FIA e do mundo da F-1 em ter de volta um grande ídolo, mas o Alemão, frio, pouco carismático, de fato quebrou quase todas as marcas da F-1, mas o modo pelo qual venceu, não convenceu. Schumacher nunca foi campeão tendo um grande adversário em um carro melhor simultaneamente, pois quando teve um ou outro sucumbiu ou alguém ai se atreve a dizer que Damom Hill, Jaccques Villeneuve e Mikka Hakkinen eram gênios da F-1?

Além de ter o melhor carro e não ter concorrentes à altura, sempre teve seu companheiros de equipes impedidos de superá-lo, vide Eddie Irvine e Barrichelo. A F-1 está tão decadente que recentemente os próprios pilotos da atual geração elegeram Senna como melhor de todos os tempos ignorando Schumacher e seus títulos, atestando o que escrevo quando menciono a decadência da F-1 depois da morte de Senna.

Escândalos, manipulação de vitórias, falta de talento são alguns do fatores que rebaixam a F-1. Podemos lembrar recentemente do caso Nelsinho Piquet, Flavio Briatore, a venda de vaga de Bruno Senna por um GP, Massa deixando Alonso passar...Fica claro que o interesse pelo dinheiro está sufocando a categoria. Logicamente eu não seria ingênuo para afirmar que a F-1 dos tempos de ouro não tinha interesse financeiro, mas concerteza o francês Jean-Marie Balestre, ex-dirigente da FIA, que nunca escondeu sua preferência a Prost em relação a Senna, entendia que o sucesso financeiro da categoria es-tava ligada à competividade dentro da pista.

Quem viu Senna X Prost na MCLaren nos 80 e viu Schummacher X Barrichelo e Alonso x Massa na Ferrari, pode observar o quanto a F-1 está decadente e unicamente preocupada em fazer dinheiro, seja a FIA, as equipes e até mesmo os pilotos que aceitam tudo isso apenas para ostentar seus nomes em grandes equipes e ganhar dinheiro.

Vamos, então, nós, os amantes do automobilismo, mergulhar no YouTube e ficar revendo vídeos antigos e nos emocionar com o passado, vamos rever aquele GP da Europa de 1993, no qual Senna, com um carro infinitamente inferior, passa Schumacher, Hill e Prost na mesma volta em um autódromo que todos diziam ser impossível ultrapassar, porque se ficarmos esperando espetáculo de Barrichelo, Massa, Alonso, Hamilton, vamos chorar é de raiva e ver corridas chatas nas quais o melhor deixa o segundo passar pra vencer.

A decadente F-1 se afunda em escândalos, na falta de talentos e na sua própria incompetência de entender que F-1 não é apenas um negócio, mas também um esporte.

O autor, Leandro Alves Ribeiro, é jornalista e estudante de Administração de Empresas

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