Polícia

Viúva de vigia que foi atropelado anseia pela solução do caso

Alexandre Padilha
| Tempo de leitura: 4 min

A morte do vigia noturno Dirceu Massanaro, 54 anos, que se envolveu em um acidente de trânsito e veio a óbito na última sexta-feira, chocou os bauruenses por pelo descaso com que foi tratada uma vida que se perdeu. Ele dirigia sua bicicleta para retornar à casa após uma noite de trabalho quando sofreu um acidente na quadra 3 da rua Álvaro Lamônica, no Jardim Estoril, em Bauru. Uma investigação para tentar identificar o veículo que causou a morte do vigia e seu condutor está sendo conduzida pela delegada Cássia Regina Viranda Cancian, do 3º Distrito Policial.

A pessoa que causou a morte de Dirceu não prestou assistência ao acidentado e deixou o vigia noturno abandonado, sem vida, na via pública. Agora, uma investigação busca encontrar o responsável pelo acidente e Flávia Fernandes Massanaro, viúva de Dirceu, afirma estar na expectativa da solução deste caso.

“Ela será descoberta porque eu não vou parar. Pode demorar o tempo que for, mas eu quero descobrir quem fez isso. Eu espero que a pessoa pague pelo que fez”, desabafa Flávia.

Ela disse considerar a Justiça muito lenta e pede para que a pessoa envolvida aja de maneira responsável e assuma a culpa. “Todo mundo sabe que a Justiça é muito lenta. Então, a pessoa que fez isso deveria ter consciência do que fez. Deveria ser responsável para assumir, dizer: fui eu, não tive a intenção. Se foi realmente um acidente, que ela se apresente”, sugere.

De acordo com Flávia, entre as diversas consequências que a morte do marido representa - além da principal delas, que é a dor da perda de um ente querido -, um dos maiores é a parte financeira, que ficou comprometida com a falta da renda de Dirceu.

“Tenho uma filha de 4 meses para criar e outra de 7 anos. Tenho que sustentá-las. Conto com bastante apoio da família, tanto a dele quanto a minha. Eles fazem o máximo que podem, mas não posso contar com isso para sempre”, lamenta a viúva.

Flávia e Dirceu estavam juntos há quase cinco anos e tinham uma filha recém-nascida, com apenas 4 meses de idade. Flávia ainda tem uma filha do primeiro casamento e Dirceu tinha mais três filhas do relacionamento anterior.

Flávia trabalhava como enfermeira, mas atualmente não estava trabalhando para poder cuidar das filhas, contando apenas com a renda do trabalho de Dirceu para sustentar a casa.

Segundo ela, o marido era um homem muito trabalhador e extremamente carismático, bem quisto em todos os lugares que frequentava. “Ele era um amor de pessoa, ajudava todo mundo, não brigava com ninguém, se dava bem com todos. Todos gostavam dele. Era um pai presente na vida das filhas e muito atencioso com todos”, lembra Flávia, emocionada.

____________________

Investigações

A delegada Cássia Cancian sugere que o autor do acidente se entregue à Polícia Civil, o que pode amenizar a acusação por considerar a atitude como uma ajuda na investigação. Segundo ela, se isso ocorrer, a pena imposta pela Justiça pode ser mais branda.

“Como houve fuga do local, seria interessante a pessoa que atropelou o ciclista se apresentar espontaneamente na Polícia Civil. As coisas ficam muito mais fáceis do que se agente chegar até ele. Uma apresentação espontânea significa que a pessoa colaborou com a polícia e isso pode até minimizar tudo, devido à boa vontade da pessoa”, afirma.

Cássia explica que o caso chegou ontem ao 3ª DP e por isso as investigações não estão mais avançadas. “Nós instauramos inquérito e realizamos a perícia na bicicleta para ver o trajeto que ela estava, se a colisão foi frontal ou lateral, a fim de identificar em que parte o veículo estaria amassado”, revela.

A delegada destaca ainda a importância da colaboração de pessoas que possam ter informações sobre o veículo que se envolveu no acidente. “Se alguém tiver informações, é interessante fazer denúncia para a Polícia Civil”, ressalta, ao garantir que essas pessoas não serão expostas.

Outra abordagem do inquérito refere-se à busca por residências na região que possam ter imagens do veículo que se envolveu no acidente ocorrido na madrugada da última sexta-feira. “Estamos buscando as gravações nas casas da região para tentar identificar a placa do veículo”.

Entretanto, a delegada frisa que o inquérito possui informações de caráter sigiloso. “As diligências estão sendo feitas, mas não posso revelar alguns pontos porque isso pode dificultar o meu trabalho”, conclui Cássia.

Comentários

Comentários