Quando tinha apenas 1 ano e meio de vida, Jorge Munhoz teve paralisia infantil e perdeu os movimentos das pernas. Hoje, com 54 anos, é de se imaginar que ele tenha encontrado inúmeras dificuldades durante toda a sua vida.
Porém, ele afirma que não. Segundo Munhoz, as maiores limitações começaram há cerca de um mês, quando ele comprou, com muito esforço, uma cadeira de rodas motorizada usada a um custo de R$ 3 mil.
O fato que parece contraditório é devido ao poucos pontos de acessibilidade e aos problemas com buracos em Bauru. De acordo com Munhoz, ele adquiriu a cadeira de rodas para melhorar a acessibilidade, mas o que realmente encontrou foram mais obstáculos.
“Eu sempre andei de muletas e sempre me virei muito bem. Recentemente, comprei essa cadeira de rodas motorizada achando que iria melhorar minha situação. Mas, para minha surpresa, foi nesta hora que aconteceu exatamente o contrário: os problemas apenas aumentaram”.
A mais recente reclamação de Munhoz aconteceu quando ele foi ao Pronto-Socorro do Hospital de Base (HB). O que era para ser um percurso calmo e tranquilo se transformou em um caminho repleto de obstáculos. Para o cadeirante, o que mais chamou a atenção foi um buraco na calçada do Hospital de Base, localizada na quadra 2 da rua Lisboa Júnior.
“O buraco lá é enorme. Eles colocaram uma tábua em cima, porém, a situação não melhorou. Quando fui passar lá, a cadeira de rodas empinou e eu quase caí”, expõe, indignado.
A reportagem esteve no local e percebeu que as pessoas realmente encontram dificuldades para atravessar o buraco. Alguns, ao desviar, até invadem a rua e se colocam em risco devido aos carros que passam. Apesar de não ser muito profundo, o buraco é bastante extenso.
De acordo com a assessoria de imprensa da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), o problema será solucionado no próximo mês. A assessoria completou que, em agosto, o hospital receberá uma verba do Sistema único de Saúde (SUS) e o conserto do buraco já está inserido na lista de prioridades.
Acessibilidade
Entretanto, o desafio de Jorge Munhoz não começou no buraco da rua Lopes Júnior. Minutos antes, ele precisava pegar o ônibus que passa em frente ao HB, na Monsenhor Claro, porém, no ponto, não havia o rebaixamento necessário para a sua cadeira de rodas. “Como não tinha acesso por ali, tive que dar a volta. Foi aí que eu encontrei o buraco”, revela.
Em relação ao problema de acessibilidade, o cadeirante explica que Bauru ainda está longe de ser uma cidade modelo. “Aqui ainda falta muito. Eu sempre andei de muletas, porém, agora que comprei a cadeira de rodas, vejo como os cadeirantes sofrem. Agora, só posso andar pelo Centro, que é onde tem uma estrutura de acessibilidade melhor”.
A própria rua onde ele mora não é asfaltada e está cheia de buracos. “O prefeito Rodrigo Agostinho me visitou aqui e disse que, no ano que vem, ele vai asfaltar esse pedaço. Eu acredito e tenho esperanças que isso ocorra. Iria melhorar muito”, complementa.
Questionado sobre as melhorias que Bauru teve ao longos dos anos na acessibilidade, ele aponta somente a questão dos ônibus. “Antigamente, os ônibus não tinham elevadores para cadeirantes. Hoje, é visto em todos eles. O Centro é o único lugar da cidade que tem mais acessibilidade, porém, todo lugar tem que ter acesso”, finaliza.