Durante a madrugada de ontem, um homem foi torturado e morto a facadas. Já sem sinais vitais, pela manhã ele foi encontrado amordaçado e com os pés e mãos amarrados nas costas em um córrego na estrada Val de Palmas, na zona rural de Bauru. A polícia ainda não sabe se o local foi o cenário do crime ou apenas onde o corpo foi desovado.
De bruços, a vítima estava com a maior parte do corpo submerso no lamaçal do córrego, somente com os pés e mãos visíveis na superfície.
Junto ao corpo não foram encontrados documentos e, por isso, a vítima não havia sido identificada até ontem à noite. O homem é negro, de cabelo escuro bem curto, aparenta ter cerca de 20 anos e aproximadamente 1,90m. Nos dois braços, havia tatuagens com desenhos e letras japonesas.
Por todo o corpo dele havia, no mínimo, seis marcas de golpes de faca: duas no peito, uma no dorso, uma no rosto, uma na perna e duas no pescoço.
Além das facadas, havia também sinais de tortura, como uma possível perna quebrada e também golpes na face, visto que o rosto estava bastante inchado. De acordo com o delegado que acompanhou o caso, Eduardo Samuel Sganzella, baseado no estado do corpo, a hora estimada da morte foi aproximadamente entre 2h e 3h da manhã.
O corpo foi visto logo no início da manhã por um trabalhador que foi ao córrego para retirar água, e avistou os pés e mãos da vítima na superfície.
O homem trajava apenas uma bermuda jeans e, além das mãos e pés bem amarrados com vários panos e também por fios elétricos, estava amordaçado.
Em um primeiro momento, os policiais militares que atenderam a ocorrência associaram o corpo a um homem que reside no Jardim Nova Esperança. Porém, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) acabou o encontrando vivo e a hipótese foi descartada.
Outros casos
Segundo levantamento feito pelo JC, esta foi a 29ª vítima de morte violenta em Bauru. Somente neste mês foram três casos de homicídio registrados.
No último dia 24, um homem foi encontrado morto debaixo do viaduto que liga a rua Araújo Leite ao Jardim Bela Vista. O corpo estava semienrolado em um cobertor e apresentava sete perfurações profundas na região do pescoço. A vítima, que aparentava ter entre 30 e 40 anos de idade, ainda não foi identificada.
Três dias antes, a estudante Jéssica Amaro Luiz, de 19 anos, foi morta brutalmente. Ela foi encontrada sem vestimentas da cintura para baixo em um trecho de terra que cruza uma das quadras sem número da rua Newton Prado, na Vila Independência. A provável causa da morte foi uma pancada na cabeça com um bloco de concreto encontrado com sangue ao lado do corpo. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) está investigando o caso.
Já no dia 3 deste mês, Claudinei Aparecido Rosa, 42 anos, foi encontrado morto atrás de uma borracharia, na quadra 6 da rua Sargento José Mendes Leal, na Vila Nova Esperança. A vítima apresentava um corte na garganta e outras perfurações por todo o corpo. Três suspeitos estão sendo procurados. A polícia trabalha com a hipótese de que a vítima estava envolvida com drogas e havia contraído uma dívida com os suspeitos.
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Perto do limite
A Organização das Nações Unidas (ONU) tem um estudo que apresenta um limite considerado aceitável para o registro de homicídios de acordo com o tamanho das cidades. Adotando este critério, se forem registrados mais sete casos em Bauru, será ultrapassado o limite estipulado pela organização.
Com a vítima encontrada ontem no córrego do Val de Palmas, na zona rural de Bauru, a cidade passou a contabilizar 29 homicídios desde o início de 2010. De acordo com a ONU, o limite bauruense para este tipo de ocorrência deve ser de 36 assassinatos até o último dia deste ano.
A conta feita pela organização é de que o tolerável seria o registro de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes. Como Bauru possui aproximadamente 360 mil moradores, o limite da cidade seria de 36 homicídios até 31 de dezembro de 2010.
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Delegado da DIG avalia o crime como possível caso de vingança
Ontem foi confirmado o 29º caso de morte violenta em Bauru, de acordo com levantamento realizado pelo JC. Devido às características expostas no corpo da vítima, o delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Paulo Calil, disse acreditar que a motivação tenha sido vingança. Ele classificou o caso como uma ocorrência isolada e que não deve preocupar a população sobre novos crimes do gênero.
Segundo Calil, o fato da vítima ser encontrada com mãos e pés amarrados, boca amordaçada, marcas de facadas, possíveis golpes na face e perna quebrada indicam que o crime foi motivado por vingança. “Dá para inferir que foi algum tipo de vingança, mas ainda não estamos no caso”, pondera o delegado.
Calil esteve no local onde o corpo foi encontrado antes de sua remoção, e aproveitou para traçar uma linha de investigação caso o homicídio seja encaminhado para a DIG - o que ainda não ocorreu.
“Primeiro precisa descobrir quem é a vítima. Com isso, podemos acionar os familiares para a gente começar a ter uma noção de quem poderia ter feito aquilo”, diz sobre a motivação por vingança que está implícita no crime.
De acordo com o delegado Eduardo Samuel Sganzella, que redigiu o BO sobre a ocorrência no Plantão Policial, o caso deve ser encaminhado para dois locais que serão os responsáveis pelo inquérito: DIG e 1º Distrito Policial - região onde o corpo foi encontrado.