Foi com muita tristeza que li na primeira página do JC, na data de 22/7/10, o resultado do julgamento que ocorreu em São Paulo referente à morte do meu grande amigo, a quem eu considerava como um irmão, soldado PM Carreira.
Eu e todos os familiares esperávamos uma condenação pelo crime cometido pelo outro militar, mas para nossa grande surpresa e tristeza esse fato não se concretizou, ficando a dor apenas para os familiares e nós amigos.
Realmente foi lamentável a decisão, não vou entrar nos méritos penais, pois não sou especialista e nem tenho formação para isso, mas com tudo que vimos e ouvimos tínhamos a certeza de que a justiça seria feita pelo tribunal, ainda mais sendo o militar, que é conhecido por sua rigidez. O que fazer agora? E os genitores, o que estará passando pela cabeça deles? E a dor de ver o filho morto na frente de casa? Esperava-se pela condenação para poder amenizar a dor. Logicamente que a condenação não traria nosso amigo de volta, mas esperava-se pela condenação para poder amenizar a dor dos mais próximos.
Foram quase dois anos de sofrimento e ansiedade pela condenação, mas o que vimos foi realmente lamentável. Eu sei que muitas pessoas concordaram com a decisão e muitas outras não concordaram com o que estou escrevendo, mas somente quem estava e está próximo sabe da dor e do vazio que ficou.
Também sei que os familiares do outro militar, ao lerem esse conteúdo, com certeza criticarão duramente. Só que é muito fácil concordar com a absolvição e não saber reconhecer a dor do outro. Imaginem o contrário, a mãe e pai do outro militar vendo seu filho ser morto na porta de casa e dois anos após o autor ser absolvido. O que será que eles achariam, que foi certo? Acho que estariam do mesmo modo que eu e todos os familiares estão.
Espero que a família recorra e ganhe, afinal, não é justo um filho ser morto na porta de casa sem ter cometido nenhum crime. Por que o outro militar tinha que seguir o Carreira até a sua casa? Segundo uma das versões, o Carreira desceu com a arma em punho, mas é lógico, um policial chegando de madrugada em sua casa e um carro que não conhece para logo atrás e uma pessoa desce também com uma arma em punho, o que pensar - ele vai me roubar, vai me matar... Ele não tinha outra alternativa, garanto que qualquer policial que estivesse no lugar dele faria o mesmo, pois não tem como adivinhar o que a pessoa está querendo.
Enfim, vamos deixar nas mãos de Deus, ele sabe o que faz, ao contrário de muitos seres humanos, pois somente ele poderá consolar esta família que tem sofrido demais. No último domingo, 26/0/2010, fez dois anos que o Carreirinha nos deixou, muitas saudades e muita tristeza, muitos momentos alegres, jogos de futebol, jogos do Noroeste...
São muitos momentos, mas o dificil é saber que não mais acontecerão momentos como estes, apenas ficarão na memória das pessoas que conviveram com o grande amigo Carreira. Um grande abraço a todos os amigos e familiares do Luís Gustavo dos Santos Carreira, ou simplesmente o Carreirinha.
Luiz Fernando Garcia