Cultura

Lição de vida


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Ao ver no noticiário da TV a imagem da atriz Cissa Guimarães amparada pelo filho mais velho, transpassada pela dor da perda de seu filho caçula, mergulhei em uma tristeza profunda.

Acredito que cada mãe que já passou por esta dor maior (e são muitas) reviveu o seu drama pessoal e, tenho a certeza de que cada uma delas, com o tempo, buscou uma forma própria de resistir ao sofrimento, reaprendendo a viver apesar da perda.

No momento mais difícil da minha vida, quando minha filha caçula, Aninha, faleceu em um acidente de paraquedas em 1989, busquei desesperadamente uma forma de reagir, de transpor o mar de desespero que me cercava e aí nasceu a POESIA.

De repente, o dom tão antigo de colocar no papel as dores e alegrias se fez presente e como um náufrago que se agarra à tábua salvadora ao final de suas forças, agarrei-me ao ato de escrever e com sofreguidão fui extraindo, projetando para fora de mim a angústia, o sentimento de perda e a tristeza.

“Solidão...

Encontro comigo mesma.

Solidão...

Momento de reflexão.

Solidão...

Busca de paz interior.

Solidão...

Legado do meu sofrimento.

Solidão...

Só..., saudade..., só.”

Bendita a inspiração que me deu o instrumento para a lucidez, para a recuperação, para a paz.

A cada poema composto, uma sensação de alívio e a cada verso escrito, um bálsamo ao meu coração ferido.

“Filhinha, meu amor, como está sendo difícil.

Viver sem você foi algo que sempre julguei impossível suportar.”

Assim, linha a linha fui expondo meu interior. Meu temperamento tão fechado foi encontrando sua válvula de escape. Fui me abrindo qual um botão de rosa ao se transformar em flor madura, dando a conhecer toda beleza e a profundidade das cores de suas pétalas - os versos.

E, de poema em poema, surgiu o livro “Ela era como o vento...”, e a sensação de paz foi imensa! Pude demonstrar a minha aceitação ao imponderável, curvando-me ao desígnio divino, que nos molda conforme a vontade de Deus.

A dor está para o espírito assim como a poda está para a árvore e Deus, como um sábio jardineiro, vai podando-nos através do sofrimento, para que possamos crescer e nos aperfeiçoar, produzindo brotos e flores espirituais de grande beleza.

“Perder você, Aninha,

foi minha prova maior.

Perder você, Aninha, sem revolta,

tem sido o meu exercício de humildade e de amor a Deus.”

Josefina de Campos Fraga é escritora e colaboradora de Ju Machado escritório de arte.

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