Pesca & Lazer

História de Pescador: Uma noite no Clavinote


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Esta é a história de uma pescaria que virou a maior bagunça da paróquia. Num sábado à tarde, nós fomos fazer uma pescaria à noite no Clavinote, foi na década de 80 mais ou menos. E a turma que foi a esta pescaria eram todos marinheiros de primeira viagem: Filé, Piriquito, Japa, e o Comprido, eu e o Armando, que já tinha noção de pescaria noturna.

Arrumamos todos os apetrechos na Kombi do Armando Bigarato, para passar uma noite no rio, levamos uns dois quilos de linguiça para assar e pão a fartura - e se pegássemos alguns bagres também iriam para o fogo. Além disso, levamos o principal de uma pescaria, que não poderia faltar de jeito nenhum, o famoso mé, e não foi pouco não! Porque a turma toda era boca de álcool.

Chegamos ao Clavinote à tardinha. Arrumamos um bom lugar para armar o encerado para passar a noite. Com umas pedras, improvisamos uma fogueira para assar as linguiças, e a turma começou a encher a cara, aí começou a bagunça.

O Filé e o Piriquito saíram com suas varas para pescar, o Japa foi dar uma volta pela redondeza. O Comprido pegou sua pica-pau e falou que ia caçar. Enquanto isso, eu e o Armando ficamos no acampamento cuidando das linguiças.

Todos eles levaram uma garrafa com pinga, falaram que era para rebater a friagem. Lá pelas 9 horas, chegou o Filé e o Piriquito, todos 'bebum', além de não terem pego peixe algum. O Filé veio enrolado num saco de estopa, tinha caído no rio - pudera, com o mé na cuca!

E vai na fogueira para esquentar do frio e secar a roupa e o Piriquito, também 'bebum', tirou o maior sarro do colega. Chegou o Comprido com sua pica-pau debaixo do braço. Numa correria danada, ele assustou com um estalo na mata e não ficou para ver o que era. Pensei: "- Êta turma boa que eu arrumei".

O pior foi o Japa, que veio todo encharcado e resolveu tirar o sapato para aquecer o pé, mas o chulé do Japa estava de amargar. Pegamos, então, o sapatão dele e jogamos na fogueira, e ele teve que voltar descalço para casa.

Depois de todos se fartaram com as linguiças com pão e mé, fomos jogar um pouco de truco para passar o tempo, mas os pés de cana não aguentaram muito, cada um arrumou um canto para dormir. Pescaria não houve, mas que a bagunça foi grande, foi.

O Armando já partiu para outra pescaria e o resto da turma bagunceira eu não sei onde anda. Esta foi uma história verdadeira que aconteceu muitos anos atrás, que muito me marcou pela bagunça.

Florindo Martins é pescador e contador de histórias.

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