Polícia

Homem que matou segurança em 2002 é condenado a 12 anos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

O autor do assassinato do segurança Afonso Lopes Martins Filho, morto em outubro de 2002 na casa noturna onde trabalhava, foi condenado a 12 anos de prisão em regime fechado. O réu, Éverton Costa Botelho, 30 anos, conhecido como “Tom”, não compareceu ao julgamento e é considerado foragido da Justiça.

A sentença foi proferida no início da noite de ontem pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Bauru, Benedito Antônio Okuno. O julgamento teve nove horas de duração e contou com a presença de familiares de Martins Filho, advogados, três testemunhas de defesa e quatro de acusação.

Uma delas é a viúva da vítima, Mirian de Lima Pitaguary Martins, 39 anos, que trabalhava como caixa na casa noturna na época do crime e presenciou a morte do marido. Embora Botelho tenha sido condenado com pena mínima para homicídio qualificado, ela se disse satisfeita com o resultado. “Se ele cumprir os 12 anos em regime fechado, para mim, está ótimo”, salienta.

Para Mirian, o réu não deverá ter direito à progressão de pena porque forneceu informações pessoais erradas à Justiça, além de ter faltado ao próprio julgamento e ter cometido um crime hediondo, por motivo fútil e sem direito de defesa da vítima. A reportagem tentou confirmar a informação com o promotor Djalma Marinho Cunha Filho, mas ele se recusou a comentar o caso. O advogado de defesa, William Ricardo Marciolli, e o juiz Okuno não foram localizados após o julgamento.

Durante a audiência no Tribunal do Júri, segundo Mirian, o promotor salientou que os depoimentos das testemunhas de defesa foram contundentes e sem divergências, apontando que Martins Filho atirou com a intenção de matar. A defesa, por sua vez, argumentou que o disparo teria ocorrido acidentalmente, uma vez que o réu era auxiliar judiciário concursado e conhecia as leis para um crime grave como este.

“A maior divergência foi apontada pela perícia técnica, que demonstrou que a trajetória da bala foi de cima para baixo e atingiu a artéria aorta. Ele estava com o braço levantado, empunhando a arma. Não foi um tiro acidental”, diz.

Algoz conhecido

O segurança foi morto com um tiro de garrucha por volta da 1h20 do dia 27 de outubro de 2002. Ele teria barrado Botelho na entrada da boate porque o homem vestia roupas inadequadas e queria ingressar no estabelecimento sem pagar. Músico, o réu era conhecido no local e já havia se apresentado na casa, hoje já extinta, que ficava na quadra 9 da rua Azarias Leite.

Indignado, ele teria saído da casa noturna e voltado mais tarde com uma garrucha. Depois de nova discussão, acabou atirando contra o peito do segurança e fugiu. Dois dias depois, Botelho se entregou e confessou o crime, mas não foi preso em razão do período eleitoral, cuja legislação só permite encarceramentos 48h após o término do pleito.

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