Regional

DIG de Botucatu vai pedir DNA de perna achada no rio Tietê para saber se é a de Eliza Samudio

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu – Nos próximos dias, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) vai encaminhar ao Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo amostras do material genético da perna encontrada no dia 3 de julho, boiando nas águas do rio Tietê, na zona rural da cidade, para saber se o membro pertence à estudante Eliza Samudio, 25 anos, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes. A jovem está desaparecida desde junho e polícia de Minas Gerais, responsável pelas investigações, acredita que ela tenha sido assassinada a mando de Bruno.

A perna esquerda, provavelmente de uma mulher de cor branca, foi encontrada por pescadores boiando nas águas do rio Tietê, próximo à ponte do Jaú, sob a rodovia Geraldo de Barros (SP-191), em um bairro rural de Botucatu. O membro estava cortado na altura do joelho. O pé mede 23,5 centímetros e estava com as unhas pintadas com esmalte na cor rosa.

Embora considere bastante remota a possibilidade da perna ser de Eliza, o delegado titular da DIG de Botucatu, Celso Olindo, cita alguns pontos em comum entre os dois casos. “Lá (Minas Gerais) se fala em esquartejamento. E aqui foi esquartejamento porque a perna realmente foi cortada na altura do joelho”, explica.

Além disso, segundo Olindo, apesar de a DIG ter encaminhado e-mail com dados sobre a ocorrência e fotos da perna a delegacias da região para que a Polícia Civil confrontasse as informações com a de eventuais pessoas desaparecidas, até anteontem, nenhum registro do tipo havia sido comunicado.

“Como não tinha outra desaparecida aqui na região, nós entramos em contato com o delegado (de Minas Gerais, Edson Moreira) e ele sugeriu que a gente mandasse esse material, através do setor de médico legal de Botucatu, para São Paulo”, conta. “Como a Eliza desapareceu antes do dia 3 de julho, tem uma pequena possibilidade de que possa ser ela”.

O delegado conta que foram colhidas amostras do material genético do membro para exame de DNA antes do seu enterro em um cemitério da cidade. “O setor médico legal nosso não dispõe de geladeira. Então, ela (perna) foi enterrada em um local que pode ser identificado e, se precisar de novo material, a gente desenterra e colhe mais”, diz.

A partir do envio do material genético da perna ao Instituto de Criminalística (IC) da capital, o titular da DIG revela que o órgão vai acionar o IC de Minas Gerais para que seja feito exame de comparação entre o material genético do membro e o da estudante Eliza Samudio.

Questionado sobre o fato de, na época do encontro da perna, ter dito que a mesma se tratava de uma mulher entre 50 e 60 anos de idade, Olindo afirmou que essa projeção havia sido feita por policiais civis, mas que, conversando com o médico legista, foi informado de que, somente pelo membro, não daria para precisar a idade da vítima.

Ontem, de acordo com o delegado, após a imprensa nacional divulgar o fato, uma delegacia da região teria feito contato com ele para informar sobre uma mulher desaparecida. Contudo, o titular da DIG disse que, primeiro, irá ouvir os familiares da suposta vítima de desaparecimento antes de revelar detalhes do caso.

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Caso Eliza

O goleiro Bruno Fernandes e outras sete pessoas supostamente envolvidas no desaparecimento e morte da estudante Eliza Samudio, com quem ele teria um filho de cinco meses, estão presos temporariamente. Os suspeitos são seu amigo e braço-direito, Luiz Henrique Romão, o “Macarrão”; sua ex-mulher, Dayanne Souza; o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o “Bola”; seu primo, Sérgio Sales; o caseiro do seu sítio, Elenilson Silva; e seus amigos Wemerson Souza e Flávio Araújo.

Com base no depoimento inicial de um adolescente de 17 anos, primo do goleiro, que foi negado posteriormente, a polícia acredita que a jovem tenha sido morta e esquartejada. Até agora, porém, seu corpo não foi localizado. O adolescente está apreendido e sua internação foi solicitada à Justiça pelo Ministério Público. A defesa dos acusados nega os crimes e diz que Eliza está viva e não aparece por vingança, já que Bruno não quis assumir a paternidade do filho que ela alega ser dele.

O caso veio à tona no dia 24 de junho, quando a Polícia Civil de Minas Gerais recebeu denúncias de que uma mulher teria sido agredida e morta perto do sítio de propriedade do goleiro, em Esmeraldas. Foi montada campana em frente ao sítio e a polícia conseguiu localizar o filho de Eliza na casa de desconhecidos, mas a jovem não foi localizada. As investigações apontam que ela teria sido levada para a casa de “Bola”, em Vespasiano, onde teria sido morta.

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