Internacional

Casa Branca implora a site WikiLeaks

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - Após anunciar que mais informações sobre a guerra no Afeganistão podem ser divulgadas, o site WikiLeaks recebeu um apelo da Casa Branca ontem para que interrompa o vazamento de dados secretos.

Autoridades da administração do presidente Barack Obama disseram que a investigação sobre o vazamento de milhares de documentos confidenciais vai além dos militares americanos. De acordo com o porta-voz da Casa Branca Robert Gibbs a divulgação destas informações colocam em risco a segurança nacional e as vidas de informantes afegãos e membros do Exército dos Estados Unidos.

Gibbs comentou ainda as potenciais ações do governo para impedir que mais dados secretos sejam vazados pelo site WikiLeaks. “Não podemos fazer nada além de implorar à pessoa que detém estes documentos confidenciais para que não os divulgue”, disse.

Em entrevista ao programa Today, da emissora de televisão NBC, Gibbs afirmou que “é importante que não haja mais danos à segurança nacional”.

O Pentágono já acusou o Wikileaks de ter “em suas mãos o sangue de alguns jovens soldados ou de uma família afegã”, após o site ter divulgado mais de 91 mil páginas de documentos secretos da guerra do Afeganistão. Agora, o Taleban afirmou que está analisando o conteúdo divulgado, e que pode punir os afegãos que ajudaram os americanos.

Contatos

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, disse em entrevista à emissora estatal de TV da Austrália anteontem que o site contatou a Casa Branca e ofereceu permitir que autoridades do governo tivessem acesso aos documentos antes de divulgá-lo, para ter certeza de que pessoas inocentes não fossem identificadas. Assange disse que a Casa Branca não respondeu ao contato e negou as afirmações do governo americano de que pessoas inocentes ou informantes estivessem correndo perigo após o vazamento dos dados secretos.

O governo americano negou ter sido contatado.

Governo afegão

O canal britânico Channel 4 falou por telefone com um porta-voz do grupo radical islâmico, Zabihullah Mujahid, que afirmou que o Taleban vai investigar os indivíduos identificados nos documentos vazados antes de decidir o que fazer com eles.

“Estamos estudando o relatório” disse ele ao canal britânico, confirmando que o grupo insurgente já tem acesso aos documentos divulgados pela internet. Mujahid disse que ficou sabendo disso por meio de reportagens na imprensa. “Sabíamos sobre os espiões e pessoas que colaboram com as tropas americanas. Vamos investigar por meio de nosso serviço secreto se as pessoas mencionadas são realmente espiões trabalhando para os EUA. Se eles forem espiões americanos, então sabemos como puni-los.”

O Taleban costuma executar os acusados de colaborar com o “inimigo” usando métodos como enforcamento em público, decapitação, execução e, em um incidente recente, amarrar dois supostos traidores a explosivos antes de detoná-los em público, cita o Channel 4.

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