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Dar palmadas. Sim ou não?

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

O imbróglio do momento é o que está polarizando a opinião pública em virtude de projeto de lei que está para ser votado na Câmara Federal proibindo palmadas em crianças. A meu ver, jamais será solucionado, pois existem os favoráveis e os contrários que nunca chegarão a um acordo.

Como educador, pai e avô, sinto-me no direito de também manifestar a minha opinião a respeito. Não sou do tempo da tão temível palmatória que constituía nas épocas passadas o símbolo da autoridade do professor na escola. Mas conheci os tempos dos terríveis beliscões, pescoções, puxões de cabelo e de orelhas, genuflexões sobre milho ou pedrinhas, postura em pé atrás da porta, embaixo da mesa do professor, agressões físicas e psicológicas contra as quais eu sempre me indignei, combati co-mo professor e proibi quando diretor de escola. Práticas e exageros estes que, embora ainda usados em alguns países do terceiro mundo, no nosso, felizmente, de há muito deixaram de ser mas que, no entanto, alguns pais absurdamente e por ignorância empregam-nos como corretivos. Fazem parte do folclore, da história, do passado e atualmente são inconcebíveis. Porém, em relação às palmadas, tenho a minha opinião própria assim como um grande contingente de pessoas das mais variadas áreas do conhecimento humano. Não vejo nenhum mal em sua aplicação, quando necessárias, consciente e moderadamente. O que se fazer quando uma criança cuspa na mãe ou pai, quando ameaça-os com algum objeto cortante e que ofereça perigo, ou que procura agredi-los com insistentes socos? Quando ela ainda não tem capacidade intelectual e mental para entender suas atitudes? Atitudes e comportamentos estes que podem ser considerados normais por qualquer pai ou mãe. Será correto, por ventura, deixar-se ser agredido ou corrigir? Entendo que umas leves palmadas em suas mãozinhas ou em sua b.... não fazem mal nenhum. O que não se pode é dar palmadas em seu rosto e em sua cabeça! Benditas as palmadas que levei de minha mãe que, sem dúvidas, ajudaram a criar e muito bem os seus quatro filhos.

Entendo esse projeto de lei como uma coerção, uma intervenção do Estado na privacidade de uma família consciente de como educar seus filhos. Vejo uma pretensão no poder público de ensinar um pai e uma mãe de como educar! Vejo essa futura lei, se assim acontecer, como um ponto gerador de delações e intranqüilidade na família que, infelizmente, poderá assumir uma atitude negativa de “lavar as mãos” deixando por conta do poder público que não pode, não tem condições e nem tem o direito de pretender assumir a educação que compete à família dar.

Vejo um sentido e objetivo demagógicos quando se sabe que existem outros problemas terríveis em nossa sociedade como o abandono de filhos pelos pais, maus tratos aplicados e a excomungada pedofilia através da internet praticada por pessoas que não passam de verdadeiros monstros e anormais. Não me considero como apologista das palmadas, mas, de vez em quando, sim, são necessárias!

O autor, Joaquim Eliseo Mendes, é professor

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