Piadas, brincadeiras, maquiagem, roupas extravagantes e música são alguns dos remédios que grupos de voluntários de Bauru oferecem a pacientes internados em hospitais e àqueles que são atendidos por entidades assistenciais. Esse tipo de prescrição tem um único objetivo: colocar um sorriso no rosto dessas pessoas
Sorrir é um santo remédio sem efeitos colaterais. Não precisa de receita médica e é de graça. Médicos e especialistas em comportamento afirmam que o sorriso tem um efeito extraordinário para a saúde e a qualidade de vida de todos. Além de melhorar o humor, eleva a auto-estima.
Com esses ingredientes fica muito mais fácil combater todo tipo de debilidade, seja ela física, material ou espiritual. Cientes dos benefícios que o sorriso produz, os voluntários da alegria que atuam na cidade não param de crescer. A cada ano, mais pessoas se juntam aos grupos já existentes ou formam novos projetos.
Neste mês de agosto, o Projeto Sorrir, um dos mais recentes, está completando dois anos de existência e persistência. Nesse período, o grupo de voluntários saltou de três integrantes para cerca de 50 atualmente.
O Projeto Alegria está em atividade há mais tempo. Foi fundado há 11 anos. No início, conseguiu reunir 25 voluntários. O quadro atual conta com aproximadamente 110. Os Amarelinhos, que pertencem ao Grupo Irmã Scheilla, é, talvez, o grupo mais antigo da cidade. Em 15 anos, viu seu exército de colaboradores crescer e chegar a 320, número atual, com boas perspectivas de aumentar ainda mais.
Além desses três grandes grupos de voluntários, Bauru conta com outros menores, mas nem por isso menos importantes. Alguns deles são montados por funcionários da própria instituição atendida, como ocorre no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Centrinho (USP).
Embora sejam grupos diferentes, todos têm o mesmo propósito: levar alegria e descontração para acamados, menores carentes, idosos, órfãos, enfim, a todos aqueles que necessitam de um pouco de carinho, atenção e paz de espírito.
O sorriso sincero e verdadeiro estimula o cérebro a liberar endorfina e serotonina - substâncias responsáveis pela sensação de prazer e felicidade. Essas substâncias proporcionam uma sensação de leveza e bem-estar, que ajudam a reforçar o sistema imunológico.
A alegria combate a depressão e o estresse, diminui a pressão arterial, melhora a digestão, desintoxica o organismo e espanta a dor.
Para especialistas em humanização hospitalar, ao tornar o ambiente mais alegre e descontraído, é possível diminuir o tempo de internação. Como consequência, o hospital também reduz seus gastos.
De acordo com a psicóloga Maria Alice Ferraz Troijo, responsável pela humanização do Hospital Estadual Bauru, dá para notar que os pacientes melhoram seu quadro clínico quando passam a receber as visitas dos grupos de voluntários. “Essas visitas trazem um ótimo resultado”, comenta. Mesmo sem estatística em mãos, ela afirma que a presença dos voluntários do sorriso faz bem até mesmo aos funcionários, pois ameniza a sobrecarga de estresse a que eles são submetidos por conta do tipo de trabalho que exercem.
____________________
Projeto Sorrir completa dois anos
O Projeto Sorrir de Bauru está completando dois anos neste mês de agosto. Os voluntários, em sua maioria, são estudantes. O requisito para poder fazer parte do grupo é ter pelo menos 16 anos e muita vontade de mudar a triste realidade de uma parcela da sociedade.
As visitas a hospitais, asilos, orfanatos, casas de apoio, abrigos e outros espaços carentes de alegria ocorrem todos os sábados. O grupo comparece fantasiado com as mais diversas cores e vestimentas. Tem quem se veste de palhaço, de personagens da Disney, do Sítio do Picapau Amarelo, ou simplesmente usam perucas coloridas e pintam o rosto.
Segundo Lais Pimenta Maciel, presidente do projeto, as cores vibrantes e as roupas espalhafatosas é uma forma de quebrar o gelo nas abordagens. “O colorido deixa o ambiente mais alegre. Além disso, as fantasias fazem a gente se soltar. Nós podemos ser o que não somos normalmente”, justifica.
De acordo com ela, tamanha alegria faz com que as pessoas se esqueçam da dor, do ambiente onde estão. “O riso melhora o espírito”, afirma.
Entre as atividades feitas nos locais visitados pelos voluntários do projeto estão mágicas, canções e piadas. Lais comenta que o efeito produzido por toda essa festa beneficia também quem participa do projeto.
Segundo a presidente, foi comprovado cientificamente que quem tem uma vida ativa como voluntário vive mais. “Nós crescemos muito a partir do momento que passamos a atuar como voluntários. Nosso estilo de vida muda. Nós paramos de reclamar de coisas fúteis. Damos mais valor ao que temos”, explica.
Ela conta que, de preferência, as visitas são feitas àqueles locais mais necessitados, mais isolados, que estão mais esquecidos. O tempo de permanência nesses locais varia de 1 hora a 1 hora e meia. Para Lais, mais do que isso, começa a cansar as duas partes. E antes de partir, os voluntários procuram deixar o ambiente tão tranquilo como encontraram.
O estudante Lucas Machado, 18 anos, e a designer Nathaly Bueno, 21 anos, entraram no projeto há cerca de um ano e meio. Lucas disse que tinha passado por experiências anteriores como voluntário, mas eram trabalhos esporádicos. Quando soube do projeto, viu que seria a oportunidade de intensificar sua doação.
O que era esporádico passou a contínuo. Uma vez por semana, geralmente aos sábados, ele visita hospitais, orfanatos, asilos, creches e outros locais. Sempre um lugar por dia. Mas Lucas não está se contentando com apenas uma visita por sábado. Ele quer mais e já pensa em fazer parte de um segundo projeto. “Esse tipo de trabalho acaba virando vício. Sinto um grande prazer em fazer o bem”, conta.
Para Nathaly, participar do Projeto Sorrir a fez mudar a maneira como encara a vida. “Mudei meu pensamento. Parei de reclamar de coisas banais, de achar que tudo dá errado comigo. Quando você vê pessoas numa condição de vida bem pior que a sua, você passa a valorizar o que tem”, justifica.
Na opinião dela, gastar parte do fim de semana fazendo trabalhos voluntários não é nenhum sacrifício. “O tempo que eu gasto fazendo isso não me faz falta. Além do mais, um sorriso que você consegue tirar de uma pessoa pode valer o fim de semana inteiro”, comenta.
Os interessados em participar do Projeto Sorrir ou receber visita do grupo podem entrar em contato pelo telefone (14) 8801-9503 ou pelo e-mail projetosorrirbau
ru@gmail.com.