Identificar o consumidor que vai usar os serviços é o primeiro passo para quem quer mudar quer modernizar o posto de combustível localizado nas estradas brasileiras. A transformação para espaços multifuncionais exige cautela e pesquisa, caso contrário, o ‘grande’ negócio pode ser sinônimo de falência.
O analista do Sebrae/Ourinhos, Cássio Antônio Gimiliani, recomenda a identificação do consumidor. “Não é porque a mudança atraiu consumidores para um determinado local que vai proporcionar o mesmo efeito em outro. É preciso analisar o perfil do cliente consumidor. Conhecer as necessidades dele.”
Sem a definição, o empresário poderá investir erroneamente. “Primeiramente é necessário analisar o ambiente, o perfil do usuário. Após identificar quem são eles é que é possível saber se há necessidade de mudanças. Não adianta fazer um posto temático em um região onde há muitos caminhoneiros que não usam este tipo de serviços.”
Caso a rodovia seja utilizada por viajantes e famílias, por exemplo, o investimento e o lucro é certo. “Tem que ver e analisar as necessidades do ponto. No posto temático não entra caminhoneiros. Nas unidades temáticas o foco é a família.”
O local de abastecimento de caminhões, especialmente aqueles que transportam cargas pesadas não exige muitos investimentos, frisa o diretor de departamento de postos de estradas da Sincopetro, Luiz Antônio da Silva. “Esse público exige menos. Eles param para almoçar e muitos são relaxados. Fato que compromete se o estabelecimento misturar públicos, portanto a saída é separar.”
Para Silva, o consumidor mais exigente quer um banheiro limpo, próprio para atender ele, a mulher e seus filhos. “Esse cliente deixa de frequentar uma parada se observar sujeira, falta de cuidados. A filosofia da pessoa que está na estrada é encontrar um banheiro limpo e um atendimento perfeito.”
Mas nem sempre foi assim, ressalta o diretor. “Antigamente, cerca de 10 anos atrás, os proprietários de postos de estradas não se atentavam para essas exigências. Os banheiros eram sujos e os usuários aceitavam porque eram poucos os empreendimentos. Hoje, isso tudo mudou.”
A escolha do local para instalação do estabelecimento é outro detalhe apontado por Silva. “Uma estrutura deve ser montada sob a luz da pesquisa. Deve se considerar as potencialidades do local, o fluxo de veículos, o acesso e a marca do combustível. Um posto mal localizado pode comprometer o consumo. Os próximos de cidades contam ainda com frequentadores daquele município.”
Cardápio caipira
Além das atrações visuais, o posto não economizou no cardápio. Batizou lanches e pratos com nomes bastante sugestivo. Um sanduíche de linguiça com queijo, por exemplo é um “trem bão”. Outro lanche chama “boi na linha”, “sinhá-moça” e tantos outros.
Segundo o cenógrafo Plínio Rigon, a polenta com quiabo e a carne de porco são os preferidos dos frequentadores. “Aos domingos tem Jazz Kafé, na hora do almoço. Triplicou o número de usuários.”
Após o almoço, os visitantes podem comprar plantas em um garden ou tirar fotos nos carros antigos que ficam expostos. “Tem um automóvel de praça que era chamado na época de Vermelho. Ele transportava os passageiros da estação Sorocabana até o Centro da cidade. Ele foi totalmente restaurado.”
Para fotos ainda tem esculturas confeccionadas em papel machê. “Tem o chefe da estação e um velhinho jogando dama que interagem com o público. O visitante pode sentar-se com o senhorzinho jogando dama e tirar foto. Tem também artesanato de Minas Gerais. Nos banheiros tudo lembra as ferrovias. É muito interessante.”
Mundo rural serve de tema para outra unidade
O posto Paloma na rodovia precisava ganhar um novo layout e abrigar um novo conceito de posto de abastecimento, segundo o artista plástico e cenógrafo Plínio Rigon, convidado pela rede para dar um novo aspecto ao estabelecimento.
O tema escolhido foi a agropecuária. Depois de pesquisar o tema, ele optou por oferecer ao visitante uma ‘pitada’ do mundo rural. A unidade fica na rodovia João Batista Cabral Rennó (SP-225), quilômetro 309, Santa Cruz do Rio Pardo.
“São 90 painéis que retratam a vida rural, o trabalhador da região, colhendo cana, café, tratando das galinhas. Cada um deles tem um texto poético colocado sob as imagens com mais de dois metros de altura. Na entrada, há um trator com o homem do campo. Tem jardim com roda d’água.”
O diferencial é que o estabelecimento tem uma área conhecida como salão dos camionheiros, um espaço dedicado a esses profissionais. “Tem padaria, hamburgueria e várias marcas.”
Grupo de profissionais dá outra ‘cara’ a antigo posto
Num concurso nacional o posto Estação Kafé conquistou o segundo posto mais bonito do Brasil, o primeiro colocado foi um estabelecimento de Santa Catarina. O trabalho foi fruto de uma equipe multidisciplinar formada por engenheiro, arquiteto, artista plástico e cenógrafo.
O objetivo, segundo o artista plástico, paisagista e cenógrafo Plínio Rigon foi mudar não só a ‘cara’ do posto, mas o conceito. De local de parada rápida para um espaço de lazer cultural. “Antigamente o cliente parava ia ao banheiro e tomava um café. Agora, além do farto cardápio, pode usufruir de um pouco da história do município de Santa Cruz do Rio Pardo.
Uma pesquisa minuciosa do grupo resgatou a história e para manter o mais próximo possível do real, até os funcionários ganharam uniformes de ferroviário. Todos usam quepe na cabeça. “Foi uma ideia feliz. Fizemos um cenário e mudamos a forma de atender e o conceito passou a ser outro.”
Os profissionais construíram uma réplica de estação ferroviária Sorocabana e desde então, os menos avisados, acreditam que ali foi uma, mas é só cenário. “Resgatamos a história de Santa Cruz do Rio Pardo, uma região cafeeira onde a imigração italiana foi muito forte. O café, a alfafa e o trem. Achamos uma Maria Fumaça que era da usina Serra Grande de Alagoas, ela foi construída em 1904.”
A locomotiva precisava de vagão e este foi feito, lembrando um de segunda classe. “O vagão lembra um da estrada de ferro Campos do Jorão/Pindamonhangaba. Foram ferroviários aposentados que fizeram o trabalho. Hoje, ele é a principal atração. Carrega passageiros da estação ao museu, cerca de 100 metros. Vai de frente e volta de ré.”
A volta ao passado encanta as crianças, mas muito mais os adultos, na opinião do cenógrafo. “Nós construímos um jardim semelhante aos existentes na época. São rosas, palmeiras e flores diversas, uma réplica dos jardins portugueses.”
O museu ferroviário acolhe fotos de fazendas de café, objetos da época, como um capacete da revolução de 32, cadeira de barbeiro, telégrafo e peças ferroviárias. “Fizemos um trabalho de pesquisa. A maioria foi comprada e outras doadas.”
Na plataforma existem painéis, em vidro, contando a história da comida caipira, do doce na refeição. “Da gastronomia brasileira da comida servida nos restaurantes de trem. Nos carros restaurantes importados dos Estados Unidos.”
Projeto pioneiro temático foi na Bahia
A cidade de Porto Seguro, na Bahia, foi a primeira cidade a receber o projeto de postos temáticos da Petrobras Distribuidora. A empresa inaugurou o conceito urbanístico, ecológico e arquitetônico durante as festividades que marcaram os 500 anos da chegada das esquadras de Cabral ao Brasil.
Com a implantação, a empresa buscou um conjunto que atraísse aos viajantes e lhes proporcionasse um ambiente com conteúdo histórico e uma sensação de bem-estar. Entre as intervenções arquitetônicas, a principal foi a implantação do mastro-vela. A peça de 14 metros de altura é o ponto de referência de motoristas e pedestres. A partir da vela e da caravela, ocorreu a criação de uma família de marcas, símbolos e elementos de alta flexibilidade de aplicação e com múltiplos derivados e subprodutos (uniformes, brindes, posteres, elementos de mídia etc).
Um detalhe neste trabalho foi a utilização do Ararajuba como o tripulante que ficava de prontidão na gávea do navio. Além da Vela, foram criadas áreas cenográficas e implantados elementos temáticos.