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Avião da Pantanal faz pouso forçado

Por Alexandre Padilha | Com Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 6 min

Um avião da empresa Pantanal fez pouso forçado na manhã de ontem, por volta das 8h, no aeroporto Moussa Tobias, na rodovia Bauru-Arealva. A aeronave era ocupada apenas pela tripulação da companhia aérea e ficou com o bico dianteiro, também chamado de “nariz”, caído na pista. Ela deveria pousar em Marília, mas mudou o destino para o Moussa Tobias pelo aeroporto oferecer mais segurança na execução da manobra.

Apesar do susto, nenhuma pessoa ficou ferida. O grande prejuízo ficou por conta da interdição da pista, que ficou fora de funcionamento das 8h às 16h e representou o cancelamento de 14 pousos e decolagens no local. Algumas pessoas precisaram remarcar compromissos ou adiá-los. As companhias também optaram por disponibilizar ônibus para transportar os clientes até a cidade de São Paulo.

De acordo com a nota oficial divulgada pela assessoria de imprensa da empresa de aviação Pantanal, a aterrissagem forçada foi provocada por um problema mecânico no trem de pouso dianteiro da aeronave. O voo havia saído de Presidente Prudente e faria escala em Marília antes de pousar em Bauru e seguir para o aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Entretanto, ao detectar a deficiência para o contato com o solo, o piloto foi instruído a mudar a rota para o Moussa Tobias, já que a pista no aeroporto Bauru-Arealva é maior e mais nova que a da cidade vizinha.

Como viajava sem passageiros de Presidente Prudente e embarcaria os primeiros em Marília, o avião realizou a manobra de emergência apenas com os quatro membros da tripulação. A aeronave em questão é uma ATR-42, com capacidade para 45 passageiros, um dos três modelos que compõem a frota da companhia aérea. O pouso forçado foi bem sucedido e nenhum dos tripulantes saiu ferido.

O avião aterrissou em Bauru às 8h02 de ontem e permaneceu na pista até as 16h, implicando no cancelamento de 14 pousos e decolagens que seria realizados no dia. Para deslocar o equipamento, foi necessária a ação de um caminhão-guindaste, que arrastou a aeronave por cerca de 100 metros para desobstruir a passagem. Por sua vez, a pista não foi prejudicada pelo incidente.

Conserto

Fora do caminho de outros aviões, o equipamento da Pantanal foi analisado por duas equipes de engenheiros, uma da TAM e outra da própria Pantanal, visto que a TAM comprou a outra companhia no final de 2009 (leia mais no texto abaixo). Até o fechamento desta edição do JC, a assessoria de imprensa da empresa não havia informado o motivo da pane no trem de pouso da ATR-42, nem qual seria o destino da aeronave.

Na noite de ontem, foi divulgado apenas que o avião poderia seguir até São Paulo ou São Carlos, dependendo da gravidade do problema mecânico.

Caso os engenheiros conseguissem consertar a deficiência, o equipamento poderia voar até São Paulo. E se houvesse problemas maiores, a aeronave seguiria para São Carlos, onde a TAM possui uma oficina de consertos.

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Manutenção

Segundo informações apuradas pela reportagem do JC, o problema mecânico evidenciado no incidente de ontem com o trem de pouso da aeronave da Pantanal pode ter ocorrido em decorrência da falta de manutenção apropriada do equipamento.

Por outro lado, o astronauta bauruense Marcos Pontes, que participou da comemoração dos 114 de Bauru e estava ontem no aeroporto Moussa Tobias para retornar a São Paulo, disse, em entrevista à TV Tem, que o problema no trem de pouso traria mais riscos caso afetasse um dos mecanismos traseiros.

De acordo com Pontes, a pane no sistema de aterrissagem dianteiro da ATR-42 garantiu que a aeronave não perdesse controle ao tocar o solo, manobra que ficaria comprometida se o defeito tivesse atingido a parte traseira do equipamento.

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TAM comprou a Pantanal no final de 2009

No dia 21 de dezembro, a companhia aérea TAM anunciou a compra da Pantanal pela quantia de R$ 13 milhões, assumindo 100% das ações da empresa. O interesse da TAM pela Pantanal foi aguçado, em grande parte, pelos direitos de pousos e decolagens (slots) que a companhia possuía no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, que totalizavam 196 slots.

O motivo que levou a Pantanal a anunciar sua venda foi o processo de recuperação judicial pelo qual a empresa passava. Fundada em 1993, no momento de sua aquisição por parte da TAM, a companhia aérea operava com uma frota de três aeronaves, com voos entre as cidades de São Paulo, Araçatuba, Bauru, Marília, Presidente Prudente, Juiz de Fora (MG) e Maringá (PR). Nesta época, a Pantanal somava cerca de R$ 75 milhões em dívidas e havia faturado R$ 70 milhões durante o ano de 2009.

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‘Bauru está preparada para acidente aéreo’

Apesar de ter realizado a última simulação de acidente envolvendo uma aeronave no dia 6 de novembro de 1999, no Aeroclube, o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, afirma que a cidade está preparada para atender a este tipo de ocorrência. Segundo ele, o plano de emergência é uma das exigências realizadas pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) para a liberação do aeroporto – no caso do Moussa Tobias.

“Quando o piloto avisa que existe um risco para o pouso, o plano de emergência da cidade é acionado. Isso envolve diversos segmentos que atuam em casos de emergência, como Polícia Rodoviária, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Samu e hospitais, que ficam de sobreaviso para receber os acidentados”, explica Brito.

Ele destaca que o primeiro atendimento em caso de acidente no Moussa Tobias seria realizado pela equipe dos Bombeiros, que possui uma unidade no aeroporto. Entretanto, o coordenador da Defesa Civil considera importante um novo simulado porque o tempo de resposta, na comparação com o que foi testado em 1999, é maior devido à distância.

“Fizemos o simulado no Aeroclube e não houve outro no aeroporto novo. Pensamos em organizar esta atividade no Moussa Tobias, mas estávamos realizando outros simulados (em prédios e indústrias) e o planejamento deste exercício envolve um alto custo porque precisamos disponibilizar uma aeronave”, avalia.

Brito lembra que o exercício do dia 6 de novembro de 1999 contou com mais de 400 pessoas, sendo que 239 delas trabalharam no atendimento dos “feridos”. Esta ação foi chamada de Simulado de Ocorrência de Grande Vulto e teve a participação do efetivo do Corpo de Bombeiros, pelotão do Tiro de Guerra, funcionários do aeroporto, unidades do Resgate, ambulâncias, médicos e enfermeiros do Hospital Beneficência Portuguesa, Hospital de Base e Pronto-Socorro, além de atores amadores, que fizeram o papel das vítimas do acidente.

A ação teve início às 8h da manhã e terminou por volta de 9h20. A coordenação esteve a cargo do Corpo de Bombeiros, Beneficência Portuguesa, Infraero-Bauru - com a participação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) - e Daesp.

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