As investigações da polícia apontam que os tiros disparados no final da tarde de anteontem contra a Penitenciária 2, em Bauru, não tinham a intenção de ferir os funcionários da instituição. De acordo com o delegado seccional Benedito Antônio Valencise, os alvos eram os próprios detentos.
“Realmente não foi um atentado contra os agentes. Foi bandido que atirou em bandido. Isso é fruto de desavenças e acerto de contas. Os alvos eram os próprios presidiários”, afirma.
De acordo com ele, as investigações apontam que os disparos foram efetuados contra detentos da cidade de Marília, que cumprem pena na P2 de Bauru. O delegado ainda afirma ser bastante provável que os atiradores também tenham a mesma procedência.
Na ocasião, um homem magro e pardo, ainda não identificado, atirou quatro vezes contra a Penitenciária 2 de Bauru. Imediatamente após o disparo, ele entrou em um veículo Audi Prata, placas JPC 3900, da cidade de Oriente, onde estavam mais dois homens.
Nos últimos dias, a base e um tenente-coronel das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) sofreram alguns ataques do crime organizado. Assim, alguns chegaram a pensar que os disparos em Bauru podiam fazer parte de uma onda de ataques, hipótese logo descartada pelas investigações.
O tenente-coronel do 4º Batalhão da Polícia Militar, Nelson Garcia Filho, também corrobora com a tese das investigações. Para ele, se fossem ataques organizados, seriam adotados outros procedimentos.
“Isso é problema interno entre os próprios detentos. Pode ser uma rixa interna. Tem também aqueles que estão envolvidos com o tráfico. Eles precisam cumprir alguma obrigação ou realizar um pagamento. O que aconteceu deve ser para mandar um recado, dar um alerta, para esses detentos”, afirma.
As investigações do caso estão sendo realizadas pela Delegacia Seccional de Bauru e pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). De acordo com o delegado Valencise, as investigações estão bastante avançadas e agem em duas linhas. “Trabalhamos em duas frentes para chegar aos suspeitos: a da arma e a do veículo. Como a arma não tinha a numeração raspada, pudemos localizar o proprietário dela e estamos verificando em que circunstâncias chegou aos atiradores. O mesmo estamos fazendo com o carro”, finaliza o delegado.
Atropelamento
Após atirarem contra a P2, os três homens fugiram em um veículo posteriormente encontrado pela PM. Apesar de terem conseguido escapar à pé, boa parte da fuga foi realizada de carro.
Durante a perseguição, os suspeitos atropelaram um homem de 47 anos, na quadra 9 da rua Baltazar Batista. Celso Picolo estava atravessando a rua quando foi atingido pelo Audi.
A vítima sofreu trauma cranioencefálico leve, além de algumas escoriações, e foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ele foi levado ao Pronto-Socorro (PS) Central, onde foi medicado e submetido a uma tomografia.
Na tarde de ontem, o PS informou que Celso já havia recebido alta. Além das lesões citadas, foi detectada também uma fratura no tornozelo.