Teerã - O Irã rejeitou ontem a oferta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de conceder asilo a uma iraniana condenada à morte por apedrejamento, disse o porta-voz do Ministério do Exterior iraniano.
A sentença imposta a Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43 anos, por um relacionamento extraconjugal, que ela nega, despertou protestos de grupos de defesa dos direitos humanos e grande indignação internacional.
Teerã suspendeu a sentença, que será analisada pelo judiciário do país, mas ela ainda pode ser concretizada.
Lula pediu no mês passado que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, permitisse que o Brasil desse asilo a Ashtiani.
“Pelo que sabemos do senhor (Lula) da Silva, ele tem um caráter sensível e humano, e provavelmente não recebeu informações suficientes”, disse o porta-voz do Ministério do Exterior Ramin Mehmanparast, em entrevista coletiva. “Podemos dar detalhes do crime dessa pessoa, que foi condenada, e então acho que a questão ficará esclarecida para ele”, afirmou o porta-voz.
Ao comentar a resposta do governo iraniano, o presidente Lula ironizou assegurando que ficou contente que o porta-voz havia percebido sua “sensibilidade”.
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Cronologia
Teerã - Sakineh é presa em 2006 acusada de ter um caso com um homem que teria sido o assassino de seu marido, ao lado de um comparsa. Ela diz que era agredida em casa e que não vivia como mulher casada havia dois anos.
Em maio daquele ano, Sakineh é condenada a receber 99 chibatadas por manter um “relacionamento ilícito com estranhos”, pena que lhe é aplicada diante do seu filho.
Paralelamente, a iraniana é processada por adultério no casamento.
Sob clamor internacional, em julho deste ano, autoridades iranianas dizem que Sakineh não será apedrejada, porém não excluem enforcá-la.
Pela lei iraniana, uma mulher condenada ao apedrejamento deve ser enterrada até a altura do peito e golpeada à morte por pedras nem pequenas nem grandes demais, de modo a prolongar a ação.