Teerã - Pivô de campanha internacional contra o Irã, Sakineh Ashtiani, condenada a morrer apedrejada pelo “crime” de adultério, perdeu outra batalha ante a Justiça do país ontem, segundo o Comitê Internacional contra Apedrejamento (Icas, em inglês).
Em nota, a organização informou que, numa audiência realizada ontem, o chefe da 9ª Turma da Corte Suprema de Teerã rejeitou um pedido pela reabertura do processo. Ele encaminhou ao vice-procurador-geral, Saeed Mortazavi, o pedido do procurador da cidade de Tabriz, onde Sakineh e a família viviam, para que a mulher seja executada.
Conforme a organização, a Suprema Corte do país decidirá na semana que vem se confirma ou suspende a execução. Para a ativista iraniana Mina Ahadi, chefe da Icas que vive em exílio na Alemanha, a notícia é “um claro sinal” de que a Justiça iraniana serve de “ferramenta política de opressão do regime”.
Não está confirmado se as comunicações mencionam a forma de execução.
Advogado foge
Sob forte pressão das autoridades iranianas, o advogado de Sakineh, Mohammad Mostafaei, notório defensor dos direitos humanos, fugiu do país no dia 28. Por terra, ele foi ilegalmente à vizinha Turquia, onde foi preso.
Dias antes da fuga, Mostafaei teve a mulher e o cunhado presos. Ele mesmo foi interrogado por quatro horas por procuradores. Liberado, ele falou em seu blog do medo de ser preso e, ao ser reconvocado, desapareceu.
Ontem, do presídio em que está, em Istambul, o advogado entrou com um pedido de asilo perante a agência de refugiados da ONU e o governo turco. Seus defensores esperam que, asilado, ele possa ir viver na Europa.