Internacional

Teerã nega atentado contra Ahmadinejad

Folhapress
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Jerusalém - O governo do Irã apressou-se ontem a negar que o presidente Mahmoud Ahmadinejad tivesse sofrido tentativa de assassinato, em meio a choque de versões deflagrado pela informação veiculada por um site conservador.

Segundo o “Khabar Online”, uma granada caseira teria sido lançada contra um ônibus de jornalistas que estava a cem metros do comboio em que Ahmadinejad se deslocava na cidade de Hamedan (oeste).

Logo em seguida, porém, o site, ligado ao presidente do Parlamento, Ali Larijani, retirou a notícia do ar.

O governo imediatamente desmentiu o relato, dizendo que a explosão perto do comboio presidencial fora provocada por fogos de artifício.

Pouco depois, Ahmadinejad aparecia ao vivo na TV iraniana, fazendo um discurso em que repetiu os costumeiros ataques aos EUA e a Israel e sem nenhuma menção ao suposto atentado.

Repercussão

Apesar do desmentido, a notícia surgida no “Khabar Online” reverberou rapidamente. A Reuters e a emissora de TV “Al Arabiya”, baseada em Dubai, citaram “fontes do governo” que confirmaram o atentado.

Segundo a agência britânica, uma bomba de fabricação caseira teria explodido no trajeto do comboio presidencial entre o aeroporto e uma arena esportiva. Imagens divulgadas pela agência iraniana ISNA mostram seguranças cercando Ahmadinejad ao lado de uma discreta coluna de fumaça, em meio a um mar de gente.

Ninguém assumiu a autoria do suposto atentado.

Dando crédito ao primeiro relato, a agência de notícias semi-oficial Fars confirmou o incidente e disse que uma pessoa havia sido presa. Mas horas depois, também ela mudou seu relato para a versão de que a explosão tinha sido apenas causada por fogos de artifício.

A emissora estatal Press TV, que se manteve em silêncio durante horas sobre o episódio, finalmente divulgou o depoimento de uma fonte “bem informada” do gabinete presidencial, desmentido o atentado e atribuindo a notícia a “fontes estrangeiras”.

Embora o governo de Ahmadinejad seja cada vez mais impopular no Irã, principalmente após a reeleição, que foi cercada de denúncias de fraude, há registro de apenas uma tentativa de atentado contra ele, em 2005.

O regime tem reprimido até tentativas pacíficas de protesto, como ocorreu no primeiro aniversário da reeleição, em junho. Outra fonte de oposição, esta sim violenta, é o grupo sunita Jundollah. Em julho, um atentado reivindicado pelo grupo insurgente matou 21 pessoas numa mesquita no sul do Irã.

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