Hoje, vi-me tomado pela ansiedade de falar, ou melhor, de escrever sobre o tema principal deste precioso caderno: o peixe! Com certeza, a maioria das histórias contadas aqui não termina em peixe ou pescaria. Quando saímos para uma pescaria, é bem verdade, nossa mente transborda em pensamentos de aventuras, fertilizados pelo inusitado, pelo pitoresco, pela surpresa... Entretanto, o motivo principal - fisgar o peixe -, às vezes se torna secundário. Todavia, vamos pescar sempre! Já que o assunto desta conversa é, e sempre será peixe, vamos dar nome aos bois, digo, aos peixes:
Entrara eu no carro, naquela manhã ensolarada, rumo a uma pescaria no Pantanal. Não o fizera sem antes ter “abotoado” a jaqueta por causa do frio. O destino era a Fazenda “Lambari” em terras pantaneiras, no município de Aquidauana.
Éramos cinco pescadores ao todo. Cinco “barbados”. Nossas mulheres ficaram “bicudas” porque não as convidamos. Ciumentas, não cansaram de recomendar: “- Cuidado com as “piranhas”! Chegaram até a prometer que nos dariam uns “cascudos” se ficassem sabendo de alguma coisa errada...
Imaginem se nós... aliás, nossa turma era muito unida, bons e confiáveis amigos. Ninguém jamais “traíra” a amizade do outro.
Quem fazia parte da comitiva era um artista plástico de “Jaú” e que também tinha “pintado” algumas telas de rara beleza. Quando avistamos o rio, ao cair da tarde, o sol ainda nos esperava com seus raios “dourados”. A paisagem deslumbrante, ora desenhada com tons laranja, ora com matizes avermelhados, exibia no céu raios multicolores a desafiar nossa imaginação. “Juro, pencém” ter visto um foguete!” gritou, extasiado, nosso companheiro Bráulio.
Na estrada , um trevo confuso, sem placas indicativas. “- Vamos para a esquerda ou para a direita?” “- Entre à direita”, aconselhou Niltinho. Se “tu vira” para a esquerda, vamos parar em “Piraputanga”! Chegamos. Enquanto ocorria o desarrumar da “traia”, discutíamos o alto lucro dos banqueiros no Brasil. Concluímos ser uma “rede” dominadora e poderosa. Para eles “juro poca” é bobagem; daí as altas taxas cobradas pelos bancos.
“Piracanjuba!”, exclamou Maizena, nosso companheiro, vendo que sua caixa de “anzóis” se “encachara” de tal modo no porta-malas e não saía de jeito nenhum. Ele já estava uma “pir arara” com tudo aquilo! Pincel, outro companheiro, teve a ideia de oferecer algumas frutas que trouxéramos, afinal, estávamos em “jejum”. “Vai uma banana?” “- Não, “mandi uva” que é a minha preferida! Para alegria geral, um pintinho (filho da galinha) surgiu não sei de onde e “piava” sem parar.
No almoço, comemos uma salada de “palmito” e “sardinha” (comprada no mercadinho) assada na brasa. Infelizmente, nosso isopor voltou vazio. Tanto se falou em “peixe”, porém, pouco se pescou. Assim sendo... esta história acabou mesmo foi na “peixaria”!!!
Fernando Lucilha Júnior é pescador e contador de histórias.