Polícia

Discussão acaba em assassinato; acusado tem a casa incendiada

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

No início da tarde de ontem, a rua Colômbia, na Vila Independência, em Bauru, foi cenário de cenas de violência. Em poucas horas, um homem foi assassinado bem no meio da rua com uma facada e o acusado teve a casa parcialmente incendiada, provavelmente por vingança. Com mais este homicídio, sobe para 33 o número de mortes violentas em Bauru em 2010, que já é o mais violento dos últimos anos.

O caso começou por volta das 13h40, quando Valmir Mariano Neves, 38 anos, e Marcos Roberto dos Santos, 39 anos, entraram em uma acalorada discussão em frente à casa de Roberto, na quadra 5 da rua Colômbia. Ambos eram funileiros e trabalhavam juntos.

Segundo os vizinhos, a discussão teria sido motivada por uma dívida entre eles e terminou com uma facada no abdômen de Valmir. A vítima chegou a ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), porém, não resistiu e morreu no Pronto-Socorro Central.

No Boletim de Ocorrência (BO) consta que o irmão de Valmir, Fernando Mariano Neves, também estava presente na discussão e tentou segurar Roberto, entretanto, ele não teve êxito e o acusado do crime conseguiu fugir.

Quando a Polícia Militar (PM) chegou no local, um sofá localizado dentro da casa de Roberto estava em chamas. Utilizando uma pequena mangueira doméstica, os policiais conseguiram conter o fogo, porém, era somente o prenúncio do que estava por vir horas mais tarde.

De acordo com os vizinhos, Roberto era usuário de drogas. Antônio Vieira, irmão do acusado, também confirma essa posição. “Meu irmão era um ótimo funileiro. Ganhava cerca de R$ 1 mil por semana. Há aproximadamente um ano, ele começou a usar drogas e se acabou”.

A reportagem localizou, nas proximidades da residência, um cachimbo para o consumo de crack, porém, a PM informou que, como o local é conhecido por ser um ponto de uso de entorpecentes, não é possível afirmar que o objeto pertença ao acusado.

Ainda de acordo com Antônio, o assassinato ocorreu por causa de uma dívida pífia de R$ 30,00. “Foi um rolo de carro entre eles. O Valmir devia esse dinheiro para o meu irmão e acabou nessa tragédia. Tudo isso por apenas R$ 30,00”, completa.

Casa incendiada

Cerca de três horas depois do homicídio, por volta das 17h, a rua novamente estava muito movimentada. A casa que foi palco do assassinato exalava fumaça e estava rodeada por bombeiros.

Provavelmente, o fogo era a continuação da tentativa frustrada de incendiar a residência algumas horas atrás. Desta vez, um colchão estava em chamas em um dos quartos da casa.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e controlou o princípio de incêndio. Apesar de causar mais estragos do que o anterior, o fogo somente atingiu o quarto e, felizmente, não se propagou.

Apesar de não quererem dar declarações oficiais, em conversas informais, os vizinhos indicam que, nas duas vezes, os princípios de incêndio foram provocados pelos familiares e amigos de Valmir, como forma de retaliação pelo homicídio.

Mesmo sem a análise e a confirmação técnica, os bombeiros também afirmaram que há fortes indícios de que o incêndio tenha sido criminoso. Caso o fato seja comprovado, os responsáveis também responderão pelos atos na Justiça.

Os familiares de Valmir foram procurados, porém, preferiram não falar com a reportagem sobre o homicídio e nem sobre os incêndios contínuos.

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Acusado está desaparecido

O delegado seccional de Bauru, Benedito Antônio Valencise, afirmou, com convicção, que Marcos Roberto dos Santos, que não foi encontrado pela polícia, é acusado do assassinato de Valmir Neves.

O delegado disse que não há dúvidas que o caso se configura como homicídio. De acordo com ele, o funileiro já tem várias passagens na polícia pelo não pagamento de pensão alimentícia.

Com o crime de ontem, segundo levantamento feito pelo JC, apenas neste ano, Bauru já registra 33 mortes violentas. Se a hipótese de que o homicídio de ontem tenha sido motivado por uma dívida comercial for confirmada, o caso foge do padrão dos outros assassinatos, que são em sua maioria frutos do envolvimento com drogas, acerto de contas ou por razões passionais.

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