A polarização entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) deu o tom do primeiro debate da campanha presidencial deste ano, realizado na noite de ontem começo de hoje, pela TV Bandeirantes.
O tucano direcionou as suas perguntas à petista, que por sua vez também questionou o adversário do PSDB.
O pano de fundo desse embate foi a comparação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), no primeiro bloco do debate de ontem à noite, promovido pela Band.
Com 30 minutos de debate, Serra atacou gargalos na infraestrutura do país, criticando as condições dos aeroportos, portos e estradas. Dilma invocou investimento da era Lula -sem citar nominalmente nenhuma vez o presidente - e usou a geração de empregos como sua primeira carta na manga, em pergunta dirigida ao tucano.
Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e que teve problemas com a então ministra-chefe da Casa Civil, tentou se apresentar como uma terceira via, de convergência, e criticou uma “oposição pela oposição” ao longo dos últimos 16 anos.
O papel de provocador coube ao candidato Plínio de Arruda Sampaio, do nanico PSOL. Ele se apresentou como a voz da “divergência”.
Dilma, que participou pela primeira vez de um debate na televisão, vinha sendo acusada por Serra de fugir desse tipo de embate, por suposta falta de preparo.
Ontem, mostrou nervosismo. Principalmente nos primeiros minutos, ofegou e chegou a ter um “branco”. Tanto a petista quanto o tucano estouraram várias vezes o tempo permitido, tendo seu microfone cortado.
Os dois lideram, tecnicamente empatados, a corrida presidencial, segundo a última pesquisa Datafolha, com 37% e 36% das intenções de voto, respectivamente. Marina Silva aparece em terceiro lugar, com 10% da preferência dos eleitores. Plínio de Arruda Sampaio tem 1%. No primeiro dos cinco blocos, os postulantes à Presidência se concentraram em apresentação de propostas - todas elas já divulgadas, especialmente para educação, saúde e segurança. O debate foi mediado pelo jornalista Ricardo Boechat.
As regras do debate, e mesmo a repercussão no noticiário da Band, foram acordados previamente com os candidatos. A legislação eleitoral impede os candidatos de usar em suas propagandas eleitorais na TV cenas com seus adversários. Deslizes dos seus oponentes, portanto, não poderão ser reproduzidas pelas campanhas.
A Lei Eleitoral exige que debates no rádio e na televisão tenham a presença de todos os candidatos de partidos com representantes na Câmara dos Deputados. Por isso o debate na Band contou com os candidatos do PSDB, PT, PV e PSOL.
Como o TSE decidiu que tal regra não vale para a internet, a Folha e o UOL definiram, como critério de participação no debate que vão promover no dia 18, o percentual de 10% ou mais de intenção de voto na pesquisa Datafolha. Só Serra, Dilma e Marina vão participar.
Audiência
O debate não afetou a rotina de audiência da televisão aberta. Segundo números prévios do Ibope, a Globo, que exibia a semifinal da Copa Libertadores, seguia líder, com 31 pontos de média nos primeiros 25 minutos do debate.
A principal afetada foi a própria Band, que trocou o “Polícia 24 Horas” de horário para exibir o debate e viu sua audiência cair pela metade logo no início da entrada dos candidatos. Passou de seis pontos para três de média nos primeiros 20 minutos do debate e ficou em quarto lugar no ranking de audiência, empatada com a Rede TV!.
Os números consolidados do Ibope devem ser divulgados amanhã.