Economia & Negócios

Preço de remédio varia quase 300%

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

O consumidor pode pagar até 295,92% mais caro ao recorrer a um simples analgésico como o Dipirona Sódica, para curar uma cotidiana dor de cabeça. É o que mostra uma pesquisa feita pelo Procon-SP, que divulgou ontem um estudo que alerta para variação de preços entre medicamentos.

A pesquisa, realizada pela Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor do Procon-SP, levantou dados de 15 drogarias distribuídas em cinco regiões do município de São Paulo. Foram comparados preços de 52 medicamentos entre os dias 30 de junho e 1 de julho deste ano.

O estudo apontou que a maior diferença de preço entre os medicamentos genéricos foi encontrada no Dipirona Sódica, utilizado como analgésico ou antifebril. Vendido a R$ 0,98 em uma das farmácias pesquisadas, chega a custar R$ 3,88 em outro estabelecimento. Isso significa que o consumidor pagará 295,92% mais caro pelo remédio.

Já entre os medicamentos de referência, o creme demartológico Dexason (acetato de dexametasona), do laboratório Teuto, custa R$ 4,21 numa farmácia, mas pode ser encontrado a R$ 8,07, uma diferença absoluta de R$ 3,86, ou seja, 91,69% mais caro.

No entanto, a diferença não é uma regra válida para qualquer medicamento. “Algumas marcas têm baixado bastante o preço em decorrência dos genéricos”, informa o gerente de um rede de drogaria em Bauru, Wilson Antônio Pinto. Exemplo é o medicamento NovaCort – produto utilizado para infecções - cujo preço é o mesmo do genérico (em torno de R$ 16,00). “A tendência é que os laboratórios das chamadas marcas referenciais vendam seus produtos a preços mais baixos, pairando aos dos genéricos, para não perder a clientela”, afirma o gerente.

De acordo com o Procon-SP, são vários os fatores que influenciam o preço de remédios. Um deles é a aplicação de descontos, que pode variar de acordo com as condições locais de mercado e rentabilidade da loja. Outro fator determinante é a política comercial adotada para cada canal de venda (loja física, telefone e site, loja virtual).

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Mais barato, genérico é o preferido

Mesmo com a variação de preços, os consumidores têm optado pelos medicamentos genéricos, já que são, em média, 52,88% mais baratos que os medicamentos de marca. É o caso do aposentado Weber Simões, 50 anos. “Já economizei bastante recorrendo ao genérico e busco sempre o melhor preço”, diz. “Uma vez tive que comprar um remédio para pressão de minha esposa que custava mais de R$ 100,00. Em consulta com um médico diferente, ele pediu um medicamento mais barato, com a mesma formulação, que custou menos de R$ 20,00”, conta o aposentado.

Já a agente escolar Sueli Aparecida Rodrigues Vicente, 51 anos, tem um pé atrás com o genérico “Nem sempre dá pra confiar. Se a diferença de preço for muito grande e pesar no bolso, eu opto pelo medicamento mais barato. Se a diferença for pequena, prefiro o medicamento de referência”, comenta. “E, antes de comprar na primeira drogaria, procuro fazer uma pesquisa”, realça.

“As pessoas têm sido exigentes em relação ao preço e têm optado pelos medicamentos mais baratos, como os genéricos”, afirma o gerente de drogaria Wilson Antônio Pinto. Para ele, o consumidor tem dado preferência aos medicamentos genéricos.

Proprietário de uma rede de drogarias na cidade, Álvaro de Lima diz o mesmo. “O consumidor está, realmente, buscando comparar os preços que têm pesado em seu orçamento”, frisa. “Cada um, dentro de suas possibilidades financeiras, opta pelo remédio mais caro ou mais barato, mas a maioria das pessoas está mais atenta a essa diferenciação”, reforça. Em sua opinião, essa variação ajuda a acirrar a concorrência entre as drogarias, que também cativam a fidelidade dos clientes pelo atendimento e confiança. “Não só o preço influencia. A credibilidade e a confiança pesam na escolha do consumidor”, ressalta.

Com a variação de preço, o consumidor tem a possibilidade de comparar e comprar o medicamento mais acessível a ele. No entanto, a escolha por um remédio mais “em conta” deve ser cuidadosa em alguns casos. “Geralmente, acontece de alguns estabelecimentos indicarem um produto similar para substituir o medicamento de referência, por ser mais barato”, comenta Rui Pagano Júnior, também proprietário de uma rede farmacêutica em Bauru. “O remédio similar tem a mesma formulação, mas é importante frisar que ele não pode ser substituído pelo medicamento de referência que está inscrito na receita médica”, alega. “O similar não pode ser substituído, pois é uma modalidade de remédio que não passa por certos testes governamentais, como o de bioequivalência e o de biodisponibilidade”, salienta Pagano.

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