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Mulher morre; suspeita é que foi de frio

Vitor Oshiro e Alexandre Padilha
| Tempo de leitura: 4 min

Ontem, por volta das 7h, a Polícia Militar (PM) de Bauru foi chamada para socorrer uma mulher que estava deitada quase sem vida na calçada da quadra 4 da rua Luciene Avallone, no Parque Jaraguá, e, segundo relatos, apresentava situação hipotérmica.

Percebendo o estado crítico da vítima, os próprios policiais, após solicitarem e esperarem por alguns minutos o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a levaram ao Pronto-Socorro Central. Entretanto, a mulher não resistiu e acabou morrendo.

Ao contrário do que foi inicialmente divulgado, a vítima não era moradora de rua. Ela foi identificada pela família como Rosângela da Cunha Claros, 40 anos, e, segundo vizinhos e parentes, era dependente de álcool.

O irmão da vítima, Milton César da Cunha Claros, 39 anos, afirma que ela também tinha problemas mentais, justamente causados pelo excesso de álcool.

Segundo o filho de Rosângela, Everton Claros de Oliveira, 22 anos, “ela já havia sido internada duas vezes em Jaú, porém, não continuava o tratamento para se livrar da bebida”.

Ainda de acordo com ele, ela saiu de casa às 16h de quarta-feira e a família somente ficou sabendo do ocorrido na manhã de ontem, quando foi procurada pela PM. “Era bastante comum ela sair assim. Por isso, nem estranhamos mais. Ele sempre saía em busca de bebida. Como eu trabalho, muitas vezes deixávamos ela em casa, mas, ela ‘fugia’ para beber”, relembra.

Os moradores do Parque Jaraguá confirmaram que Rosângela enfrentava problemas com álcool. De acordo com eles, ela sempre passava alcoolizada pelo bairro.

A vítima trabalhava como empregada doméstica e morava com mais dois filhos no Núcleo Fortunato Rocha Lima, próximo ao local onde foi encontrada.

De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), durante a madrugada de ontem, a menor temperatura em Bauru ocorreu às 4h15, quando os termômetros marcaram 10,1 graus. Entretanto, a meteorologista Rita Cerqueira Lopes avalia que a sensação térmica pode ter sido bem mais baixa que isso em decorrência dos ventos.

“Na rua temos o vento e a sensação térmica é mais baixa. Supostamente, a sensação térmica às 4h15 da manhã (de ontem) deveria ser de aproximadamente 2 graus”, analisou a meteorologista do IPMet.

Apesar dos indícios de que a morte no Parque Jaraguá tenha sido em virtude do tempo frio, o médico legista do Instituto Médico Legal (IML) de Bauru João Sérgio Carneiro pondera que é preciso esperar o laudo.

“Não podemos atribuir que o óbito foi em decorrência do frio, temos que aguardar as análises. Foi colhido o material para análise e agora temos que aguardar os resultados. Os exames são encaminhados para São Paulo e geralmente ficam prontos dentro de um prazo de aproximadamente 15 dias”, explica Carneiro, que também é coordenador do Samu.

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Após três ligações para o Samu, PM faz socorro

No Boletim de Ocorrência (BO) consta que o Samu foi solicitado por três vezes para socorrer Rosângela. De acordo com o registro, o serviço foi acionado às 7h02, depois às 7h08 e novamente às 7h14. Ou seja, entre a primeira e a terceira ligação, houve um intervalo de 12 minutos.

Ao perceber o estado crítico de Rosângela, os policiais que atenderam a ocorrência resolveram não esperar mais e a removeram ao Pronto-Socorro Central.

De acordo com o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) do município, a mulher não morreu no Pronto-Socorro. Ela já estava morta quando chegou ao local.

Por sua vez, o coordenador do Samu, João Sérgio Carneiro, disse que não havia sido informado sobre a demora no atendimento e garantiu que vai averiguar o ocorrido se for registrada uma reclamação. Entretanto, Carneiro ressalta que as ocorrências são muitas em Bauru, o que pode gerar alguns empecilhos no atendimento ao público.

“É difícil trabalhar com algumas informações, definir se aquilo é urgente ou não. Nós temos que dar prioridade para alguns casos e quando a pessoa explica claramente o que aconteceu, isso facilita o atendimento e pode agilizar o socorro. Quando a coisa é um pouco mais clara, ela flui normalmente”, define o coordenador do Samu.

O corpo de Rosângela da Cunha Claros é velado na sala velatória do Cemitério Cristo Rei e o sepultamento será realizada no mesmo cemitério, às 9h30 de hoje.

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Defesa Civil nunca registrou morte por frio em Bauru

Segundo o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, não há registro de morte em decorrência de hipotermia em Bauru. “Não tivemos em Bauru registro de nenhum caso de hipotermia ao longo dos anos”, garantiu Brito.

Ele explicou ainda que este tipo de morte depende de diversos fatores e raramente poderia ser destacado como a única causa da morte de uma pessoa. “Depende de diversos fatores, como o nível de imunidade da pessoa, se está doente, debilitada, se está alimentando-se. O frio pode não ter sido determinante para a morte, mas pode ter sido um agravante”, frisa Brito.

O coordenador da Defesa Civil lembrou que a cidade conta com a assistência do Albergue Noturno, que disponibiliza sua estrutura para viajantes e andarilhos se alimentar e dormir em um local quente e confortável. “Eles inclusive realizam rondas em algumas ruas de Bauru para recolher pessoas que dormem nas ruas”, avisa.

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