Botucatu – Um auto-de-linha da América Latina Logística (ALL) que fazia manutenção da via permanente vindo de Avaré bateu ontem por volta de 14h em um vagão-tanque vazio parado perto da estação Paula Souza no distrito de Rubião Júnior pertencente a Botucatu (100 quilômetros de Bauru). Cinco pessoas tiveram ferimentos leves.
Há suspeita de vandalismo, o vagão deveria estar estacionado no pátio de Rubião Junior, mas estava parado em uma curva a 10 quilômetros do local onde foi deixado. Auto-de-linha é um veículo ferroviário de pequeno porte, utilizado para inspeção e conservação da via permanente (trilhos e dormentes).
O Corpo de Bombeiros de Botucatu foi acionado e socorreu quatro pessoas com ferimentos leves. Equipe da ALL ajudou a socorrer um funcionário que chegou a bater a cabeça nas ferragens, mas, segundo a assessoria de imprensa da ALL, não teve traumatismo craniado, porém ficou internado para observação.
Os cinco funcionários da empresa foram levados para o Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas (HC) da Unesp de Botucatu. A assessoria da imprensa do hospital confirmou que um paciente ficou internado em observação.
A ALL informou que será aberta sindicância para apurar o motivo do vagão estar parado na linha e suspeita de ato de vandalismo.
O diretor regional do Sindicato dos Trabalhadores de Empresa Ferroviária de Botucatu, Hélio Maschetti, disse ontem no início da noite que alguém deve ter desengatado o vagão-tanque o que possibilitou se locomover por cerca de 10 quilômetros até parar numa curva, perto do rio Pardo.
“Se fosse à noite, o acidente teria sido uma tragédia, porque não daria para ver o vagão parado e diminuir a velocidade se fosse uma locomotiva. Como foi durante o dia, deu tempo para os ferroviários se protegerem da batida entre as ferramentas do auto-de-linha”, disse Machetti.
O sindicalista disse que o pátio de Rubião Junior tem dezenas de vagões tanque estacionados. “O local é abandonado e mesmo que tivesse dois vigias não notariam. É difícil vigiar uma área de um quilômetro quadrado. Esse vagão foi parar no pátio de Paula Souza há cerca de três dias e ninguém notou falta quando saiu do pátio”, declarou o sindicalista.Maschetti disse que a ALL desativou um sistema que detectava vagão parado no meio da linha, chamado de Controle de Tráfego Centralizado (CTC) por meio de semáforos. “Após a privatização, a ferrovia piorou”, declarou.