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No capitalismo, é socialmente aceitável a baixíssima eficácia da educação

Geraldo A. Bergamo
| Tempo de leitura: 2 min

Tendo como guia provas mundialmente padronizadas para aferir o desempenho escolar, o Brasil tem um programa de atingir na década de 2020 os índices de educação dos países desenvolvidos: 6 numa escala de 0 a 10. Atentemos então para o que é socialmente aceitável para a educação nos países desenvolvidos. Apesar de todo um gama de esforços e recursos humanos, materiais e financeiros envolvidos, nesses países é socialmente aceito que os procedimentos educacionais podem falhar em 40%! Obviamente, hoje é socialmente impensável, nos mesmos países, que procedimentos de medicina, engenharia etc possam ter tal nível de falha.

O que essas provas medem é o resultado dos objetivos do ensino de massas nos países desenvolvidos: um nível de pensamento que, apenas, torna sistemáticas e formalizadas operações mentais de comparação e classificação. Quando se trata de verificar a formação do pensamento teórico, o resultado é que apenas em torno de 10% dos alunos saem ao final do ensino médio com tal formação, ou seja, a educação falha para 90% dos alunos! E isso numa época em que a didática já se constituiu enquanto uma ciência, apresentando métodos que forme professores para ensinar os alunos de maneira que se forme, na maioria deles, o pensamento teórico. Mal comparando, o que é aceito em educação seria algo como aceitar que a medicina não utilizasse os atuais conhecimentos científicos nesse campo, regredindo a procedimentos como trepanação com serrote e sangria utilizando sanguessugas.

Que não se debite esse estado de coisas na educação à categoria profissional docente. O que ocorre é que os sistemas educacionais, em termos mundiais, são organizados para atender os interesses exclusivos do capital e não para formar as novas gerações utilizando o que de mais avançado já se tem nas ciências da educação.

No final do século XIX, época de grande avanço na ciência no tocante à mecânica e ao eletromagnetismo, foram inventadas grandes máquinas que, potencialmente, tornariam o trabalho físico penoso obsoleto. Ora, é nessa época que na Inglaterra (então o centro do capitalismo), para grande massa de trabalhadores miseráveis, entre os quais incluía-se um grande contingente de mulheres e crianças, aumentou o trabalho físico penoso. Hoje, após os avanços na microeletrônica e o advento das chamadas máquinas “inteligentes”, para uma grande massa de trabalhadores aumentou o trabalho mental rotineiro, enfadonho e “burro”. É para essa necessidade do mercado de trabalho capitalista que se organizam os sistemas nacionais de educação das novas gerações. E como o capitalismo tem base social de aceitação para a maioria da população mundial, é socialmente aceitável, para a maioria, que a educação tenha baixa eficácia. Os recorrentes discursos de lamentação sobre o estado de coisas na educação das novas gerações não passam de lágrimas de crocodilo. (O autor, Geraldo A. Bergamo, é colaborador de Opinião)

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