Regional

Jaú sai na frente e aprova clínica veterinária pública

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 9 min

A população de Jaú (47 quilômetros de Bauru) vai ganhar uma clínica veterinária municipal. O projeto de autoria do vereador Tito Coló Neto (PSDB) foi aprovado por unanimidade pelo legislativo. Falta o aval do executivo para ser implantado. A previsão é de que até setembro os cães e gatos sejam atendidos por dois veterinários concursados pela prefeitura.

A clínica é um anseio da população que não economizou esforços para pressionar o legislativo para aprovar o projeto. A criação beneficia diretamente os moradores de baixa renda que possuem animais de pequenos porte, cães e gatos e não conseguem manter os gastos com o tratamento dos animais. Indiretamente, atende toda a população que ficará livre de animais doentes que muitas vezes servem de hospedeiros de doenças transmitidas ao homem.

Para que o animal seja atendido gratuitamente na clínica, o dono dele terá que comprovar renda familiar igual ou inferior a três salários mínimos, estar regularmente cadastrado, fazer o cadastro do animal e comprovar a residência no município. Na clínica, os animais de pequeno porte poderão ser castrados, vacinados e ainda serem submetidos a partos e atendimento clínicos.

No projeto constam ainda autorização para fazer convênios entre o município, organizações não governamentais e instituições de ensino de medicina veterinária. Campanhas de saúde animal assim como a posse responsável deverão ser motivos de campanhas a serem desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Saúde.

O autor do projeto enfatiza que a clínica municipal vai atender com dignidade os animais de famílias menos abastadas. “O custo das clínicas particulares inviabiliza o tratamento de muitos animais de estimação. Muitas deixam de tratar o cão ou gato em função do custo. Eu tive a ideia depois que conheci o hospital veterinário modelo de Guarulhos.”

Com a ideia na cabeça e um pouquinho de sorte, o vereador conseguiu ter êxito na empreitada. “Eu ganhei uma clínica completa de um veterinário de Jaú que deixou a profissão para ser empresário. Isso facilitou muito a aprovação do projeto. Não vai gerar despesas aos cofres públicos.”

Lençóis Paulista pretende castrar cachorros sem dono

Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) possui um canil para onde são levados os animais de pequeno porte errantes. A intenção era implantar este ano, a castração de animais errantes machos, mas no meio do caminho, o local foi furtado e os planos foram adiados por conta disso.

O veterinário do município Fábio Marcel Valese Luiz Ferreira explica que a verba que seria destinada à adequação do canil para as cirurgias estão sendo empenhadas na recuperação do local. “Tivemos que comprar outros equipamentos porque os nossos foram subtraídos.”

Mas a ideia continua, porém sem prazo para execução. “A ideia futura é assumir a castração dos machos, porque a das fêmeas exige muito cuidado. Há uma demanda muito grande e hoje o serviço é realizado em parceria com uma associação de proteção aos animais em clínicas particulares a um custo mais baixo para os moradores de baixa renda.”

Mensalmente são realizadas de 60 a 80 castrações. “A parceria com a associação, que ainda está engatinhando, dividiria a prestação de serviço à comunidade lençoense. “O canil cuidaria da parte de zoonoses e castração de animais machos e a associação ficaria com a castração das fêmeas. Para isso é necessário montar uma sala cirúrgica.”

O projeto prevê a seleção dos donos de animais que serão beneficiados. “A demanda é grande e a partir do momento que passarmos a oferecer o serviço vai crescer mais ainda. Vamos ter que fazer uma seleção. Tínhamos uma programação para entrar fazendo o serviço este ano, mas o furto atrapalhou.”

Uma lei municipal garante o controle de zoonoses, a recolha de animal doente, a coleta de sangue para exames de leishmaniose, coleta de material para diagnóstico de raiva, doentes que colocam em risco à saúde da população. “No ano passado fizemos um inquérito sanitário numa área do município. Não teve prevalência de 2% para ser considerada com transmissão canina, mas chegou próximo, a gente enquadrou para não ter problema futuramente.”

60 animais são retirados das ruas de Lençóis

Todos os meses uma média de 60 cães são retirados das ruas de Lençóis Paulista, uma média de três ao dia.

“Animais em estado que a população deixa passar do ponto e poucos são reversíveis. Isso acontece especialmente com os donos de animais que fazem parte da população de baixa renda. Eles não levam o animal para atendimento em função dos custos. Se o animal estiver doente, mesmo tendo dono, nós recolhemos”, avisa o veterinário.

Se o animal estiver sadio, mas o dono vai mudar e precisa doar o animal, ele é encaminhado para a associação que faz a doação. “Em julho colocamos 16 cachorros para doação, 15 foram adotados. Eles são doados depois de vacinados e vermifugados. Se forem filhotes, o dono se compromete a trazê-los para castração posterior a um custo menor, dividido em várias vezes.”

Cães errantes participam da cadeia epidemiológica de diversas zoonoses

A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia Unesp/Botucatu faz cursos itinerantes por todo o País para capacitar os veterinários em cirurgias invasivas voltados à castração. Outros programas também voltados à mesma causa são feios pela instituição de ensino. O professor titular Stelio Pacca Loureiro Luna enfatiza a educação para a posse responsável.

“Para que os cidadãos proprietários de cães e gatos não deixem seus animais soltos. Diversos municípios possuem programas de adoção de animais. Em Botucatu, as adoções são organizadas pela Associação Protetora de Animais e apoiados pela prefeitura.”

A falta de conscientização sobre a guarda responsável desses animais desencadeia uma procriação excessiva, o que gera um grande número de animais não-domiciliados ou errantes e constitui um problema de saúde pública de grandes proporções principalmente em centros urbanos, segundo o professor.

Ele explica que esses animais participam da cadeia epidemiológica de diversas zoonoses como raiva, a leishmaniose visceral e o complexo larva migrans visceral/toxocariose. Também podem desempenhar um papel de reservatório de agentes etiológicos oportunistas, com implicações graves para pessoas imunodeprimidas.

“Eles produzem dejetos, fezes e urina, o que aumenta a população de moscas e ratos, além da contaminação da água e alimentos por vários agentes patogênicos. Adicionalmente podem desencadear acidentes de trânsito e mordeduras.”

A população canina e felina varia de acordo com a oferta de abrigo, água e alimentos, disponíveis pelo homem e meio ambiente. Nos padrões atuais, a atividade de captura e sacrifício de cães e gatos é custosa, trabalhosa e lida apenas com os sintomas e não com a causa do problema da procriação animal excessiva, na opinião de Luna.

“Desta forma não é a resposta para o controle da população a longo prazo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a eliminação de cães em grande escala foi recomendada somente porque não havia conhecimento suficiente na época, sobre a composição e dinâmica da população canina. Hoje nos programas de manejo de populações está claro que a eliminação dos animais não é efetiva e é muito custosa. A OMS preconiza que os programas de controle populacional de cães e gatos devem envolver várias estratégias de intervenção, como registro e a identificação de cães e gatos, procedimentos de esterilização, educação da população para a posse responsável desses animais e intervenções de cunho legislativo. Tais medidas são menos onerosas e mais efetivas e éticas que a eliminação dos animais, além de respeitarem a opinião pública. ”

Local para clínica passa por reforma

O prédio que abrigará a clínica municipal de Jaú passa por adaptações. Localizado na rua Amaral Gurgel ao lado do Grêmio Paulista, ele tem acesso fácil de toda a população. Os dois veterinários já foram aprovados em concurso, ressalta o vereador Tito Coló Neto (PSDB). “Inicialmente, vai funcionar oito horas por dia. O prédio foi locado por R$ 1 mil e passa por reformas para acolher a clínica.”

Canil de Jaú está acima da capacidade

O canil municipal de Jaú tem capacidade para acolher 150 animais, mas está com 200 cães e 30 gatos. Mensalmente são recolhidos de 50 a 60/mês nas ruas da cidade. São animais errantes que estão doentes ou que foram atropelados, segundo a veterinária Daniela Midori Satake.

“Por meio de denúncias o Centro de Zoonoses recolhe os animais portadores de doença e feridos. Eles são tratados e colocados para adoção. A castração é feita por uma ONG que já tem lista de espera.

Macatuba não tem canil

Na cidade de Macatuba (46 quilômetros de Bauru) não tem canil para recolher cães e gatos errantes. Com pouco mais de 17 mil habitantes, os animais de pequeno porte têm donos e aqueles que aparecem doentes, algo que coloque em risco a população, a vigilância sanitária encaminha para um veterinário, prestador de serviços.

A diretora do departamento, Antonia Aparecida Souza, explica que no município não tem recolhimento de animais errantes e nem castração. “A maioria dos cães que está na rua tem dono. Como a cidade é pequena a gente sabe de quem é o animal.”

Os animais atropelados, coisa rara, são encaminhados para o prestador de serviços. “Temos contrato com um veterinário que trata e uma moradora que cuida até que o cão ou gato consiga se restabelecer. Se precisar de dono, o veterinário coloca um aviso na clínica. Se houver necessidade anunciamos na rádio.”

Rede de voluntários acolhe cães errantes em Barra Bonita

A Associação dos Amigos de São Francisco de Assis (AASFA) envolveu a população para cuidar dos animais errantes. A estratégia é ter em cada bairro ou região da cidade uma pessoa favorável à causa. No momento que surge um cão ou gato doente ou atropelado naquela área da cidade, a associação faz o atendimento no local e encaminha para esse voluntário que cuida até o animal se restabelecer.

Marcelo Witt explica que além dos voluntários sazonais, a associação juntamente com a prefeitura mantém quatro abrigos, todos particulares. “São casas de voluntários que se propõem a ajudar. Temos uma veterinária para atender e castrar os animais, além da rede que acolhe a causa.”

Witt enfatiza que o trabalho é feito nas ruas. “Assim atendemos mais animais e facilmente encaminhamos para os nossos contatos. São recolhidos mensalmente das ruas da cidade de cinco a dez animais, a maioria são cachorros.”

As fêmeas são encaminhadas para castração para diminuir a população canina. “Recolhemos animais atropelados sem dono e alguns doentes em estado terminal. As pessoas procuram a prefeitura que encaminha as solicitações para nós.”

Cada caso é analisado individualmente, comenta Witt. “Eu recolho os animais com meu carro e, após serem medicados, eles são encaminhados para os voluntários ou abrigos. São colocados para doação quando estão recuperados. Nosso convênio com a prefeitura garante a alimentação e medicamento.”

A prefeitura não tem canil, mas há um local batizado de abrigo que eles disponibilizam para recolher os animais. “Para arrumar um dono para um animal, a associação conta com o apoio dos meios de comunicação. Divulgamos em rádio e jornais.”

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