São Paulo - Em clima de final de mandato, O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem a uma plateia de empresários que “todos ganharam muito dinheiro” durante seu governo, independente do porte da empresa.
“Além disso, nos meus oito anos de governo 90% das categorias profissionais receberam aumento real acima da inflação. Temos a criação de mais de 14 milhões de empregos formais em sete anos e meio de governo, algo impensável até poucos anos”, afirmou, durante seminário empresarial Brasil - El Salvador, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Ele disse esperar que a experiência brasileira seja replicada em El Salvador, onde o presidente Maurício Funes, eleito em março de 2009, ainda enfrenta resistências por parte do empresariado local. No evento de ontem, Lula contou ter dito ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que considerava Funes “um menino de boa qualidade”. “A gente vê que a pessoa é boa pelos olhos.”
Funes, presente ao evento, lembrou ter recebido dois conselhos de Lula desde que foi eleito. O primeiro, de acordo com ele, é “ser paciente e contar muitas vezes até dez, algumas até 100, para atuar com inteligência e não tomar decisões impensadas”.
A outra, citou Funes, também foi uma recomendação para que tenha paciência, uma vez que as mudanças sempre serão criticadas, pois serão consideradas muito rápidas para alguns setores e muito lentas, por outros. “O importante é que elas aconteçam”, teria dito Lula ao presidente de El Salvador.
Presença dosada
A campanha da candidata Dilma Rousseff (PT) trabalha com a preocupação de não exagerar a presença do presidente Lula na propaganda de TV que estreia este mês. O objetivo é que ele não roube a cena. “O Lula vai aparecer o suficiente para trazer voto e o suficiente para não ser over”, disse ontem a jornalistas o presidente do PT, José Eduardo Dutra. “A candidata é ela. O Lula vai servir como cabo eleitoral”, completou, explicando que a estreia trará a trajetória da candidata.
Lula disse ontem que a reunião que convocou para hoje com todos os ministros no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória do governo federal, em Brasília, tem como objetivo cobrar que eles trabalhem até o último minuto de 2010. Lula afirmou que quer evitar o conhecido “clima de fim de governo” em que os integrantes do governo começam a faltar em dia de expediente, chegar mais tarde e sair mais cedo.