Brasília - A contragosto, o presidente Lula assinou ontem o decreto que expande as sanções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o programa nuclear do Irã.
O Brasil é membro não permanente do Conselho e votou contra a resolução pela quarta rodada de sanções contra o Irã. O projeto, contudo, teve a aprovação de outros 12 membros, incluindo os cinco países com poder de veto -Reino Unido, França, Estados Unidos, China e Rússia. A Turquia também votou contra e o Líbano se absteve.
As medidas, aprovadas no último dia 9 de junho, foram uma punição pelo fato do Irã manter enriquecimento de urânio em seu território, o que viola resolução anterior do Conselho. Em represália, no fim de junho, o presidente iraniano anunciou um congelamento de dois meses do diálogo nuclear com as potências.
“O Brasil faz isso contrariado, porque votamos contra esta resolução”, disse o chanceler Celso Amorim, ao deixar reunião com o presidente. “Não acreditamos que contribua para resolver o problema do programa nuclear iraniano”, completou.
Amorim disse ainda que essas sanções não atingem diretamente as relações do Brasil com o Irã e que também não têm relação com medidas adotadas paralelamente pelos Estados Unidos e União Europeia. “As sanções são inoportunas e contraproducentes, mas somos respeitadores das leis internacionais”, disse o chanceler. O Brasil se aproximou nos últimos meses do Irã e defendeu que o país tem direito a um programa nuclear pacífico.
Brasil e Turquia assinaram, no dia 17 de maio, um acordo com o Irã que estabelece a troca em território turco de 1.200 quilos de seu urânio levemente enriquecido (a 3,5%) por 120 quilos de combustível enriquecido a 20%, destinado ao reator de pesquisa médica de Teerã. A iniciativa, contudo, foi ignorada pelas grandes potências por não incluir a exigência de que Teerã interrompesse o enriquecimento de seu urânio.