Polícia

Dois rádios HT da polícia são furtados

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Furtos de equipamentos e objetos do interior de veículos são comuns em Bauru. Porém, quando os equipamentos em questão são rádios comunicadores que estavam em viaturas estacionadas dentro de Distritos Policiais (DPs) da Polícia Civil, fica claro que a ousadia dos criminosos está cada vez maior.

E esse atrevimento fica ainda mais evidente quando o furto ocorre em duas delegacias em um intervalo de apenas uma semana. Foi o que ocorreu em Bauru e ainda não há pista dos ladrões e o que pretendem fazer com os aparelhos, se é só para atrapalhar o trabalho policial ou pretendem usar os rádios em ações criminosas.

O primeiro furto ocorreu no 3.º DP na semana retrasada. O ladrão pulou o muro da delegacia e furtou o rádio comunicador que estava dentro de uma viatura. O aparelho estava codificado com a frequência utilizada nas comunicações dos policiais.

O aparelho furtado é conhecido como rádio comunicador HT. Ele é portátil e funciona por meio de ondas magnéticas. Para ouvir transmissões “fechadas”, como as da polícia, ele precisa necessariamente estar codificado.

Como se não bastasse o atrevimento do primeiro furto, uma semana depois, a ação foi repetida da mesma maneira. Porém, o rádio foi furtado de uma viatura que estava no 1º DP. Quando questionado sobre a autoria, o delegado seccional de Bauru, Benedito Antônio Valencise, explicou que, para não atrapalhar as investigações, não poderia revelar a suspeita da polícia, se é o mesmo ladrão em ambos os casos.

O delegado também descartou a hipótese de que os rádios HT’s possam ser utilizados em uma ação maior do crime organizado, como ocorreu em 2006, quando o Primeiro Comando da Capital (PCC) vez uma onda de ataque em todo o Estado, inclusive em Bauru . “Não há essa hipótese. A polícia tem outros meios de comunicação. Os rádios não podem ser utilizados para seguir nossos passos. Quem estiver com o rádio vai ouvir pouco”, finaliza.

Estrutura dos DP’s

As delegacias furtadas não parecem ter um forte esquema de segurança e vigilância. O 1º DP é rodeado de alambrados de cerca de 2,5 metros de altura, com arame farpado no topo. Visualmente, não há câmeras de segurança na parte externa. Um agravante é que um dos muros do local faz divisa com um terreno utilizado para ensaios de escolas de samba e é de fácil acesso. Assim, adentrar no distrito não é muito difícil.

Já o 3º DP funciona numa casa aparentemente construída para ser residência. Na parte frontal, há muros de cerca de 3,5 metros de altura. Há também duas câmeras de vigilância direcionadas aos portões de entrada. Nos dois distritos, o lugar onde ficam estacionadas as viaturas é visível a quem está do lado de fora.

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Outros casos

Dois outros assaltos cometidos este ano no Interior do Estado mostram onde a ousadia dos criminosos pode chegar. O mais recente aconteceu na última sexta-feira, em Ibirarema, quando bandidos invadiram a delegacia da cidade e uma Base da Polícia Militar. Eles roubaram a viatura e as fardas dos policiais. Posteriormente, a quadrilha, formada por dez homens, utilizou os equipamentos roubados para realizar um outro assalto à banco.

Ao todo, sete suspeitos já foram presos. Entre os detidos, estavam dois policiais militares que participaram do crime.

No dia 13 de maio, a ousadia dos criminosos também ganhou destaque nacional. O fato aconteceu no município de Salto, quando dois homens assaltaram uma mulher, a agrediram e levaram R$ 13.500. O detalhe é que tudo ocorreu dentro da delegacia da cidade.

Na ocasião, a vítima, que resistiu, foi jogada por cima do balcão e teve a bolsa levada. Dois escrivães de polícia presenciaram o fato, porém, nada fizeram para impedir o assalto. Mais tarde, eles alegaram que não agiram por imaginar que seria uma briga de casal.

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