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Cidade de Maceió decreta situação de emergência em complexo de lagoas


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A Prefeitura de Maceió decretou no último dia 4 situação de emergência no Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba, por conta da poluição provocada pelas águas das chuvas que atingiram Alagoas nos meses de julho e julho. O decreto da medida foi publicado no “Diário Oficial do Município”.

O objetivo do decreto, explicou a prefeitura, é conseguir recursos federais para realizar obras de desassoreamento das lagoas Mundaú e Manguaba, que banham pelo menos seis municípios da região metropolitana. Além de Maceió, as duas lagoas margeiam os municípios de Marechal Deodoro, Coqueiro Seco, Santa Luzia do Norte, Satuba e Pilar.

O principal dano causado pelas enchentes e apontado do texto do decreto é a aceleração do processo de assoreamento das duas lagoas. “Com isso, houve o recobrimento dos bancos reprodutores do sururu, dificultando a pesca e refletindo na sobrevivência de cerca de 5 mil famílias. Também houve reflexos na atividade turística da região”, explica o decreto.

Para o presidente do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Adriano Augusto, do ponto de vista social, o maior prejuízo causado foi a destruição do sururu, que é o principal molusco das lagoas. “A pesca de sururu foi completamente dizimada por conta das enchentes. O ambiente para desenvolvimento do sururu precisa de água salobra e lama. Nós temos o complexo completamente dessalinizado e a parte onde era lama está coberta de areia”, explicou.

Pescadores, marisqueiras e catadores de sururu da Colônia de Pescadores da Orla Lagunar reivindicam uma ajuda de custo e cestas básicas para ajudar no sustento das famílias que dependem das lagoas. Eles contaram que estão passando por dificuldades financeiras e estão catando massunim (crustáceo) no mar, para não morrerem de fome.

Os prefeitos de Maceió, Marechal Deodoro, Coqueiro Seco e Santa Luzia do Norte se reuniram no início da semana para discutir o assunto. Eles disseram que dependem da ajuda do governo federal para enfrentar o problema e revelaram que vão precisar de pelo menos R$ 25 milhões para as primeiras obras de recuperação das lagoas.

O prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), disse que, além de diminuir os riscos de enchentes nas cidades e nos bairros da Capital próximos às lagoas, o desassoreamento também deve ajudar nos projetos de saneamento básico da região do complexo lagunar.

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Há poucos pesquisadores de ciências do mar

A falta de pesquisadores em ciências do mar é um dos entraves para o desenvolvimento dos estudos nessa área no país. Dados mostram que o número de pesquisadores dedicados às ciências do mar é reduzido em comparação a outros segmentos. De 1968 a 2008, 6.725 estudantes graduaram-se em cursos de ciências do mar, sendo 38,5% engenheiros de pesca e 33% oceanógrafos, de acordo com informações publicadas pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Atualmente, o País dispõe de 38 cursos de graduação específicos para atividades no mar, porém 25 deles surgiram há menos de dez anos. Na pós-graduação, há 29 mestrados e 21 doutorados.

Para o oceanógrafo e professor da Universidade Federal do Ceará (UFCE), Carlos Schettini, a carreira tem poucos atrativos de trabalho – o que afasta os universitários. “É preciso tornar a carreira acadêmica interessante. Dinheiro tem, o problema é que não tem gente”, disse.

O coordenador da reunião deste ano da SBPC, Aldo Malavasi, aponta o alto custo do trabalho de campo nos mares como outro obstáculo – e cita os gastos para compra e manutenção de um barco. “Nesses trabalhos, é necessário usar meios mais complexos e caros, como barcos. O deslocamento e a pesquisa de animais marinhos são mais complicados em comparação à uma excursão terrestre, onde você tem uma rede hoteleira, por exemplo”, disse.

A comunidade científica espera um aumento no número de cursos e interessados no tema por conta da exploração do petróleo na camada pré-sal e das discussões sobre os efeitos das mudanças climáticas nos mares e oceanos. Os pesquisadores cobram também a criação de um instituto governamental para a coleta e análise de dados a respeito do ambiente marinho.

Na abertura da reunião da SBPC, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, liberou R$ 30 milhões para a implantação de dois centros focados nas ciências do mar. Os recursos serão aplicados por meio de editais de propostas a serem lançados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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