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PM dá a lotéricas manual contra roubos

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de 25 donos de lotéricas de Bauru estiveram presentes ontem no 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI) em uma palestra realizada pela PM para passar dicas de segurança e alguns procedimentos a serem adotados para que se previnam de roubos em seus estabelecimentos.

De acordo com o palestrante, tenente Vítor Melo, a ideia da palestra surgiu após os três roubos que aconteceram em Bauru no começo desta semana. “O número de roubos em lotéricas de Bauru é relativamente baixo. O que nos motivou a realizar esta palestra foram os casos dessa semana. Foram três roubos muito próximos”, frisa.

Na segunda-feira, uma lotérica localizada no Jardim Bela Vista foi roubada por três homens armados. No dia seguinte, mais dois estabelecimentos foram vítimas dos assaltantes. O primeiro, no Jardim Ferraz, foi roubado por volta das 12h, quando quatro homens renderam funcionários e clientes e levaram o dinheiro dos caixas. Quatro horas depois, um estabelecimento no Centro também foi assaltado, porém, o criminoso agiu sozinho.

Durante a palestra de ontem, a polícia criou uma espécie de manual com procedimentos que vão desde à prevenção até o modo de agir durante o roubo, caso ocorra.

Para prevenção foram passados conselhos variados, que vão desde o posicionamento dos guichês, que precisam estar voltados para a rua, até evitar colar cartazes nas vitrines, pois dificultam a visibilidade sobre o que acontece dentro das lotéricas.

Outra dica importante é em relação à observação dos clientes. Em um dos roubos de terça-feira, os funcionários afirmaram que o assaltante entrou e saiu da lotérica várias vezes. De acordo com o manual da PM, quando um cliente age assim, é muito provável que ele esteja com a intenção de cometer um crime.

As dicas foram bem recebidas pelos donos das lotéricas, que, inclusive, solicitaram o conteúdo da palestra para que eles repassem o material a todos os funcionários.

Ernesto Pimentel Filho, 44 anos, é um deles. Uma das dicas que ele vai passar a adotar é combinar uma senha com os funcionários que chegam para iniciar o expediente. “Às vezes, chega o funcionário, bate na porta e nós abrimos. Podemos abrir achando que é um conhecido e, na verdade, é um assaltante. Na palestra, eles falaram para combinar uma senha. É bastante interessante isso”.

Há um ano, ele recorreu há um novo meio de se proteger: colocou blindagem nos vidros da lotérica. “Perdi a conta de quantas vezes fui assaltado. Foram oito ou nove meses em 10 anos. Nada é 100% seguro, porém, tem coisas que ajudam. Blindei minha lotérica há um ano e não fui mais assaltado. Já vi gente suspeita que se deparou com o vidro e, provavelmente, desistiu do roubo”, completa.

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Interação

Para o tenente Vítor Melo, a palestra foi muito bem sucedida. Ele afirma que, além dos conselhos passados pela polícia, houve uma reciprocidade muito boa dos donos das lotéricas, que opinaram sobre o tema.

Uma das questões levantadas foi a de um maior patrulhamento da polícia. Mesmo com as dicas do manual, a PM deixou claro que não se isenta de sua responsabilidade e foi cobrada disso.

Alguns donos de lotéricas pediram que o patrulhamento fique em estado avançado de alerta no período mais suscetível aos roubos. “As duas primeiras semanas do mês são realmente quando os roubos às lotéricas mais acontecem. É a época em que as pessoas vão pagar as contas e que circula mais dinheiro. O assaltante sabe disso”, afirma o tenente Luís Melo.

Para ele, além da palestra, o próprio encontro entre os proprietários é positivo, visto que cada pessoa emite sua opinião e aprende com o que já está sendo feito pelo outro. “Ensinamos muita coisa, mas, aprendemos também. Às vezes, eles já fazem algo diferente que está dando certo. Quando há esses encontros, um aprende com o outro”, finaliza.

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