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Adolescente viciado desde os 9 anos conta drama

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

14 anos de idade, viciado em entorpecentes desde os 9, sem o apoio da família e com uma perspectiva de vida baseada na busca constante de se drogar. É assim a triste realidade de um garoto que foi flagrado ontem pela Polícia Militar (PM) comprando crack na região central de Bauru.

A operação aconteceu na quadra poliesportiva na praça recém-inaugurada Balbino Simões, próximo ao viaduto da rua 13 de Maio. Quatro dias antes, a Base de Trânsito havia abordado um grupo de dez pessoas que usava e vendia drogas no mesmo local.

Ontem a cena se repetiu. Ao perceber a movimentação suspeita, os policiais abordaram Diego Felipe Ferreira, de 25 anos, acusado de estar vendendo drogas no local. Junto com ele foram apreendidos também 27 papelotes de entorpecentes, sendo oito de cocaína e todo o restante de crack.

No momento exato da abordagem, Diego, que já tem passagens na polícia por tráfico, entregava a droga a um adolescente de apenas 14 anos.

Segundo o próprio garoto, ele é viciado há cinco anos. “Comecei com ‘farinha’ (cocaína) aos 9 anos de idade. Foram os amigos que me ofereceram e eu comecei a usar”, relembra.

E esta não foi a primeira vez que ele foi apreendido pela polícia. O adolescente conta que já o recolheram outras vezes por consumo de drogas e por pichação.

Ontem, no momento em que foi abordado, ele estava com R$ 10 para comprar o entorpecente. “Eu trabalho carpindo calçadas. Todo o dinheiro que eu ganho uso para comprar drogas. Agora, eu uso crack e maconha”, conta, de forma bastante natural.

Porém, a naturalidade acaba quando ele é questionado se queria ter outra vida. Ao ouvir a pergunta, ele desvia os olhos, abaixa a cabeça e conta que, por inúmeras vezes, já tentou interromper o vício. “Eu paro e começo de novo. É bem difícil ficar sem usar. Dá uma vontade muito grande”. O nome do garoto está sendo preservado em respeito ao Estatuto da Criança e Adolescente.

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Cansados dos problemas, os pais

recusam retirar garoto da delegacia

Ontem, quando foi recolhido pela PM, o adolescente foi levado ao Plantão Policial. Para ser liberado, era preciso que um familiar ou responsável se apresentasse no local. O fato ocorreu somente no final da tarde, quando, após a recusa dos próprios pais, a tia do garoto se apresentou.

De acordo com os policiais que foram até a casa onde vivem os pais do garoto, eles disseram que não iriam retirá-lo da delegacia, pois, já estão cansados dos problemas do filho. Aparentemente, desistiram da recuperação do filho.

O próprio adolescente confirma isso. Segundo ele, os seus pais sempre o aconselharam a parar de usar drogas. “Todo pai e mãe é igual, né? Eles nunca querem que o filho fique assim. Eles sempre falavam para eu parar”.

Quando questionado sobre o que sentiria se tivesse um filho e o visse na situação em que ele está hoje, novamente o menor abaixa a cabeça e é direto: “ficaria muito magoado”.

Após a recusa dos pais, a polícia localizou uma tia do menor, que se apresentou por volta das 18h. Visivelmente sem o apoio da família, ele ficou na delegacia cerca de seis horas esperando para ser liberado.

Segundo o adolescente, após este novo recolhimento, ele vai tentar parar de usar drogas, porém, pelas suas próprias palavras, a tentativa parece ser apenas provisória. “Vou tentar parar. Mas não sei se vou conseguir. Vou tentar ficar pelo menos um tempo sem usar”, conclui.

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