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Entrevista da Semana: Michele Kyrillos Obeid

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

Ao invés de quintal com árvores, brincadeiras nos corredores de um hotel. Assim foi boa parte da infância de Michele Kyrillos Obeid, uma jovem bastante comunicativa que, aos 31 anos, já alcançou o sucesso e a realização profissional.

Com o turismo correndo nas veias, como ela mesma gosta de dizer, Michele é presidente do Convention Visitors Bureau, uma associação cujas atividades fomentam o turismo de Bauru e região tanto na área de convenções, quando na área de lazer. “Estamos crescendo na área de cultura e lazer e utilizamos a região para proporcionar isso aos turistas que vêm a Bauru com o foco empresarial”, afirma.

Há cinco anos no ramo, a moça, que também é advogada, faz algumas considerações a respeito do turismo na região. Ela acredita que ele vem se desenvolvendo muito nos últimos tempos e que a tendência para a região de Bauru é seguir o mesmo ritmo, principalmente o turismo de negócios e agronegócios. “Está havendo conscientização da população e do empresariado. Analisando a situação de cinco anos atrás, estaremos falando de anos-luz de desenvolvimento”, disse em entrevista.

Como boa parte das jovens, Michele faz planos para o futuro profissional e pessoal. Esses e outros temas como aventuras e histórias de viagens a trabalho, ela conta na entrevista que concedeu ao Jornal da Cidade. Leia os principais trechos.

Jornal da Cidade - Como atua o Bauru Convention Visitors Bureau?

Michele Kyrillos Obeid - A função de um convention é fomentar turismo e isso pode ser tanto na área de convenções, ou para a área de lazer. A de Bauru está mais focado para o turismo de negócios, agronegócios...Estamos crescendo na área de cultura e lazer e utilizamos muito a região para proporcionar esse lazer aos turistas que vêm a Bauru com o foco mais empresarial, mais de negócios. Nossa função é divulgar nossa cidade e região e nossos atrativos e potencialidades visando a captação de novos eventos para cá.

JC - Quais são esses eventos que você frisa?

Michele - São eventos corporativos, congressos, seminários, eventos científicos e também investimentos nessa área de infraestrutura. Com isso, movimentamos toda a cadeia econômica, gerando empregos e renda.

JC - Quando a associação foi formada?

Michele - Há cerca de cinco anos. Sou a presidente e estou no trabalho desde o início, há cerca de cinco anos. Através do desenvolvimento do nosso trabalho, eu procuro ajudar no desenvolvimento do turismo da nossa região.

JC - Ter praticamente nascido em hotel deve ter influenciado nesse trabalho.

Michele - Ah sim, eu cresci dentro de um hotel. Brincava nos corredores, era como um quintal para mim. Foi em um hotel que também comecei a trabalhar.

JC - E quanto ao direito?

Michele - Desde criança quis fazer faculdade de direito por achar o curso muito interessante. Não cheguei a sair de Bauru para estudar por questões de família, sempre fomos muito unidos. Foi uma coisa boa porque tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas que se tornaram amigas e que hoje me auxiliam tanto no direito quanto no turismo. Acho que, se tivesse ido embora, dificilmente voltaria a Bauru, como aconteceu com boa parte dos meus amigos. Provavelmente também não teria me envolvido com o turismo, que é algo que me realiza.

JC - O direito ficou de lado?

Michele -Não. Eu até brinco que o direito é o que mantém muitos dos meus projetos e atividades do turismo. Eu também viajo muito a trabalho e isso acaba gerando muitas histórias.

JC - Imagino que algumas delas sejam marcantes.

Michele - Tenho muitas peripécias feitas. Já saímos de madrugada de ônibus de Bauru e chegamos em São Paulo às 5h da manhã para, logo em seguida, pegar um voo para Brasília, nessa pressa toda, muitas vezes trocamos de roupa rapidinho no banheiro mesmo para participar de eventos ou reuniões. Já fui a muitas feiras para representar Bauru. Outras vezes acabei fazendo arvorismo, escaladas e outras aventuras junto com os turistas... São coisas prazerosas e até engraçadas da profissão.

JC - Sua vida profissional é o que você imaginou?

Michele - Não, não é nada do que eu imaginei. Quando pensei em ser advogada, pensava em advogar, prestar concursos...Nunca imaginei que fosse ter uma vida agitada, com tantas viagens de trabalho e ainda conciliar as duas atividades. Hoje é difícil desassociar as duas profissões.

JC - Pode-se dizer que está realizada profissionalmente?

Michele - Bastante, mas tenho planos de voar mais alto. Gosto de desafios, então, gostaria de ter a experiência de realizar algo fora de Bauru. A cidade estará sempre no meu coração, sempre vou divulgá-la, mas penso em morar fora, sim. Talvez São Paulo ou Brasília.

JC - Qual é a sua visão sobre o turismo na cidade e região?

Michele - O turismo vem se desenvolvendo muito nos últimos tempos. Se fizermos um comparativo dos últimos dois anos, vamos ver que ele cresceu bastante. Está havendo conscientização da população, do empresariado. Se voltarmos há cinco anos então, estaremos falando de anos-luz de desenvolvimento.

JC - Destacaria pontos positivos e negativos?

Michele - Hoje temos investimentos em infraestrutura e em políticas públicas voltadas para o desenvolvimento do turismo. Por outro lado, ainda há muito a ser feito, como participação mais ativa do poder público e iniciativa privada. Alguns lugares ainda apresentam resistência, mas a tendência atual é que as pessoas consigam ver o turismo com uma indústria, que é o que ele realmente é. Quando bem trabalhada, essa área movimenta 80 atividades da cadeia produtiva. Então você vai desde a limpeza pública, segurança, garçons, camareira, locação de veículos...É muita gente trabalhando. Acredito que para a Copa do Mundo e Olimpíadas, nós teremos falta de mão de obra e não conseguiremos formar profissionais no volume necessário que o segmento exigirá.

JC - Você é uma turista?

Michele - (Risos) Eu costumo dizer que conheço muitos aeroportos, mas os pontos turísticos das cidades acabam ficando para trás porque viajo quase sempre a trabalho e nem sempre tenho tempo para os atrativos. Já fui em um congresso em Salvador e não tive tempo sequer para conhecer a cidade. Não viajei muito para o exterior. Fui comemorar o aniversário de casamento dos pais com toda a família no Caribe, além de conhecer a Disney, um sonho de adolescente.

JC - Você deu nota 10 a seu pai. Qual foi a importância dele em sua formação?

Michele - Ah, meu pai é fantástico. Ele tem uma história de vida maravilhosa, é uma pessoa humilde, correta, justa e sempre deu muito carinho e atenção para a gente. Eu preciso dizer que, o que eu sou hoje, eu devo a ele e a minha mãe.

JC - Construir uma família faz parte dos seus planos?

Michele -Família é tudo. A gente sem a família não é nada. Então, família...família e família. Penso em construir uma, sim, mas não ainda. Acho que essa não é a hora de fixar raízes em algum lugar porque ainda quero fazer muita coisa. Acho que deixar filhos em casa, viajar e ficar muito tempo fora de casa é uma coisa muito complicada e difícil. Acredito que a mulher precisa ser realizada profissionalmente e que o companheiro deve aceitar.

JC - E como está o coração?

Michele - Ah, meu coração está muito bem.

JC - O que diria sobre você?

Michele - Sou uma pessoa feliz, otimista, positiva e que gosta de trabalhar. Procuro ajudar sem olhar a quem. Não tenho tempo para ajudar diretamente, mas auxilia várias entidades. Para mim, por exemplo, a Festa do Sanduíche Bauru é o evento mais importante do aniversário da cidade.

JC - Com tanto trabalho você consegue tempo para se divertir?

Michele - Acredito que você precisa procurar ser feliz todos os dias, por isso procuro viver todos os meus momentos com intensidade, assim dá para levar uma vida bem bacana. É claro que a responsabilidade do trabalho deve vir em primeiro lugar...Adoro cinema, shows, teatro e estar sempre conhecendo novas paisagens. Outra coisa importante é estar sempre com bons amigos.

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