Tribuna do Leitor

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Ontem fui ao shopping de Bauru e fiquei indignado. Depois de comprar em 5 locais diferentes, somente o último chamou-me a atenção para trocar as notas fiscais, por cupons que concorrerão ao sorteio de um lindo carro no próximo dia 16. Uma das recepcionistas do balcão da troca por cupons, ao somar o total das notas fiscais, informou-me que faltavam R$ 0,12, para receber mais um cupom. Percebi que faltava a nota fiscal de apenas um dos pontos da praça de alimentação, e que o tíquete do pagamento por cartão de crédito, não era considerado comprovante de compra. Fui até o estabelecimento, que prontamente emitiu a nota fiscal e, conversando com a sua funcionária, disse ela desconhecer o sorteio e as condições para receber o cupom.

Expliquei rapidamente e desci para a troca. Ao informar a recepcionista da falta de uma maior divulgação, incentivo e conhecimento por parte dos funcionários das lojas, ela “deu uma risadinha amarela” e confessou que “todos sabem” e que alguns funcionários do Shopping, comparecem naquele local para trocar pelos cupons. Entendi!!!! Conversei hoje com amigos que também estiveram no shopping, ou não sabiam, ou não foram orientados para buscar e trocar a nota fiscal pelo cupom. O governo estadual lançou a Nota Fiscal Paulista e, de uma forma ou de outra, está recebendo mais verbas que podem ser aplicadas socialmente, além de premiar com um pequeno porcentual da informação fornecida as pessoas cadastradas nessa modalidade de sorteio.

O ICMS é parte importante para reverter em saúde, educação (escolas e universidades estaduais dependem dessa arrecadação) e outros itens condicionados a essa verba. A minha indignação é: essa omissão ou desinteresse de informar esse sorteio do shopping é bom para quem? Por que não está amplamente divulgado? Se este é o pensamento concretizado, essas mesmas pessoas ajudarão a eleger os nossos próximos representantes? O que interessa para elas interessa também para quem? Todos reclamam da corrupção, do desvio de verbas, das carências nos diversos setores mas no que depende de sua parte, não faz a lição de casa.

Sinto-me também um corruptor toda vez que dou algum dinheiro para alguém “tomar conta” do meu carro, pois se não o fizer todos sabemos das possíveis conseqüências. Quem nos protege? Promessas eleitoreiras temos muitas, mas fatos concretos são poucos. Para um melhor Brasil do futuro, precisamos começar a construi-lo já. (Arnaldo Pinzan - professor universitário, membro do Lions Cub de Bauru Centro e colaborador eventual do JC)

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