Internacional

Justiça adia decisão sobre apedrejamento

Folhapress
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Londres - A Justiça iraniana adiou em mais uma semana a decisão sobre o destino de Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada em 2006 à pena de morte por apedrejamento.

Ontem, o advogado de Sakineh, Houtan Kian, participou de audiência na qual era esperado que a Justiça decidisse se a sentença seria mantida ou não e, caso sim, se a execução ocorreria por apedrejamento ou enforcamento.

Na audiência, porém, a Justiça pediu a Kian que fornecesse mais informações sobre o caso e marcou nova audiência para o próximo sábado.

“É uma tática do governo iraniano, que quer ganhar tempo para que o assunto seja esquecido para então executá-la”, disse Mina Ahadi, chefe da ONG que coordena campanha a favor de Sakineh.

Apedrejamentos revistos

Após as críticas da comunidade internacional à condenação de Sakineh Mohammadi Ashtiani, 42 anos, à pena de morte por apedrejamento, o Irã está revisando as penas impostas a outras mulheres, informou o jornal britânico “Guardian”. Segundo o jornal, assim como Sakineh, Mariam Ghorbanzadeh, 25 - que estava grávida de seis meses e abortou após ser espancada na cadeia - havia sido inicialmente condenada ao apedrejamento por adultério. No entanto, a sentença foi alterada para enforcamento.

De acordo com o “Guardian”, a decisão foi motivada pelo temor de autoridades iranianas de sofrerem mais condenação internacional devido à bárbara forma de punição contra mulheres.

No entanto, o advogado de Ghorbanzadeh, Houtan Kian - que também representa Sakineh e outras duas mulheres detidas na prisão de Tabriz por adultério - diz temer que as suas outras clientes sejam executadas.

“Meu medo é que o Irã execute Mariam e as outras duas mulheres, já que os demais casos não atraíram tanto a atenção da imprensa”, explicou.

Uma das clientes do advogado é Azar Bagheri, 19 anos, que está presa desde os 15 anos, depois que seu marido a acusou de adultério. Ela havia sido condenada à morte, mas a sua pena foi alterada para cem chibatadas depois que o caso de Sakineh veio à tona. Ela ainda não havia sido executada porque, pela lei iraniana, é preciso aguardar até que o réu complete 18 anos.

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