Tribuna do Leitor

Heterofobia


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O leitor Pedro Valentim tem se manifestado repetidas vezes nesta coluna sobre a pretensa homofobia praticada pela camara municipal na tramitação de lei em discussão naquela Casa. Fica difícil para nós, leitores comuns (não político profissionais com ou sem mandato), entendermos os meandros e os interesses confessáveis ou não existentes nesta questão.

Valentim infere estranhamente que a Câmara está emperrando a causa do movimento da diversidade, chegando ao extremo de atribuir ao presidente e aos vereadores da Casa ato criminoso, como se, por exemplo, eles recebessem de instituição pública municipal para fazer política ao invés de trabalhar na sua função. E a causa dos homossexuais não depende desta ou outra legislação, pois basta o conceito constitucional de que todos são iguais perante a lei.

A questão é basicamente semântica e não altera, como quer nos fazer entender Pedro Valentim, em nada os direitos pertinentes a homossexuais e a outras minorias. Ser contra a homofobia e contra qualquer outra forma de discriminação é o mínimo que se pode esperar de um cidadão consciente, seja ele cristão ou não. No entanto, não podemos chegar a extremos e transformar as leis sobre este assunto, mesmo a nível municipal, em “heterofobia”, de caráter tão nefasto quanto à homofobia que agora se deseja combater.

Algumas das leis em tramitação em nível federal e até municipal podem, por exemplo, tirar de um rabino, pastor ou padre o democrático direito de seu púlpito de condenar o que ele, para seguir os mandamentos de Deus, considera como pecado e mais de um pai ensinar isto a seus filhos, ferindo o direito fundamental de crença consagrado na mesma Constituição.

Pior ainda faz o sr. Valentim (tribuna do leitor de 3/8) quando tenta utilizar o texto de II Samuel 1: 26, se referindo ao “amor” do rei Davi pelo amigo e Príncipe Jonas, sem analisar seu contexto, ou seja, ignorando que a expressão amor em hebraico usa várias palavras, diferentemente da palavra em português onde tem a mesma palavra tem vários sentidos.

Ademais, no mesmo II Samuel 3:2 narra que Davi era casado com 6 mulheres tendo 6 filhos nascidos de diferentes mulheres e ainda posteriormente sobre Mical, irmã de Jonas, também sua esposa e de sua queda em adultério com Bate-Seba e, definitivamente, a queda pelas mulheres foi a maior fraqueza deste que foi o maior líder judeu. Fora o fato de o capitulo 9, onde está narrada a bondade (este sim o sentido do amor cap. 1) de Davi para com os filhos de Jonas, que definitivamente não dá razão a nenhuma inferência sobre homossexualidade de nenhum dos dois.

Márcio M. Carvalho

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