Regional

Roubo em fazenda foi forjado por mulher de caseiro, aponta polícia

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - A Polícia Civil de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) descobriu que o roubo a uma fazenda registrado na manhã do último sábado, no bairro Monte Alegre, com posterior incêndio da casa-sede da propriedade, na realidade, não existiu. A mulher do caseiro, vítima dos supostos assaltantes, confessou que agiu sob a influência de “espíritos malignos” e, agora, vai responder pelo crime de comunicação falsa de crime e incêndio.

Conforme divulgado pelo Jornal da Cidade na edição de ontem, a mulher, M.J.D, relatou à polícia que, por volta das 8h20 de sábado, três indivíduos armados, encapuzados e vestindo roupas de cor preta entraram na fazenda e, após roubar um aparelho receptor de antena parabólica e um aparelho de DVD, atearam fogo na casa-sede, causando a destruição dos quartos, parte dos banheiros e do corredor, além de várias mobílias.

Na ocasião, ela estava sozinha no local. Seu marido teria ido até Pratânia levar o filho do casal para tomar vacina contra a poliomielite. O fogo foi controlado pelo caseiro, que recebeu um telefonema da mulher após os fatos, e por vizinhos.

Desconfiado da história contada pela vítima, e como não houve o corte da linha telefônica da fazenda, o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) do município, Celso Olindo, passou a investigar o caso. “A gente acabou estranhando algumas atitudes e algumas informações prestadas pela suposta vítima”, declara.

De acordo com ele, na segunda-feira da semana passada, a mulher já tinha comunicado à polícia uma suposta tentativa de estupro da qual teria sido vítima. Na ocasião, segundo o delegado, ela estaria na casa-sede quando foi surpreendida por um homem com as calças arriadas que tentou abusar sexualmente dela.

Olindo revela que, ainda conforme a mulher, ela teria reagido e entrado em luta corporal com o acusado, que conseguiu fugir, deixando em seu corpo marcas de arranhões. “Bandido não age desse jeito”, diz. “Ele teria ido embora e não levou nada, deixou ela ir embora para a casa dela e não arrebentou o fio do telefone, coisa que é comum o bandido fazer”. Em relação à ocorrência de sábado, o delegado conta que estranhou o fato da mulher não ter acompanhado o marido até Pratânia. Além disso, o fato dos supostos assaltantes terem levado apenas dois equipamentos também levantou suspeitas. “Tinha coisa de maior valor na fazenda para ser levado, e não foi levado”, afirma. “Então, a gente começou a suspeitar que aquilo tudo foi simulado”.

Ao ser interrogada, a mulher acabou confessando que forjou tentativa de estupro registrada na semana passada, se auto-lesionando, e que também havia simulado o roubo à fazenda, inclusive levando a polícia até um pasto onde estavam os produtos, distante cerca de 70 metros da casa-sede.

A suposta vítima também confessou que jogou álcool em colchões e, depois, ateou fogo, causando o incêndio. “Ela disse que foi o demônio que mandou ela fazer isso. Vai ser instaurado inquérito policial contra ela por comunicação falsa de crime e incêndio. Durante a fase judicial, certamente vai ser instaurado incidente de insanidade mental para verificar se ela tem problema mental ou não”, disse o delegado.

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